A Palo Seco, N. 11, 2018 - Escritos de Filosofia e Literatura 


A Palo Seco - N.11

A Palo Seco 2019
chamada para publicação

A partir desse ano de 2019,
A Palo Seco adotou o sistema de submissão em fluxo contínuo. Para o número de 2019 serão avaliados os artigos e traduções encaminhados até o dia 30 de junho de 2019.

Anais do IV Colóquio
Filosofia e Literatura: Poética

Com muita satisfação apresentamos os Anais do 4º Colóquio GeFeLit.
São 48 trabalhos sendo 3 conferências (resumos), 21 palestras (resumos) e 24 comunicações (textos completos).

Você tem notícia do latim?

A tese “Dois tempos da cultura escrita em latim no Brasil: o tempo da conservação e o tempo da produção – discursos, práticas, representações, proposta metodológica” do prof. José Amarante Sobrinho recebeu o Prêmio Capes de Teses 2014 - Letras e Linguística

A Palo Seco, Ano 10, N. 11, 2018
Escritos de Filosofia e Literatura


CONSELHO EDITORIAL

Alexandre de Melo Andrade - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Camille Dumoulié - Université de Paris Ouest-Nanterre-La Défense, França

Carlos Eduardo Japiassú de Queiroz - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Celina Figueiredo Lages - Universidade Estadual de Minas Gerais/UEMG, Brasil

Christine Arndt de Santana - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Conceição Aparecida Bento - Univ. Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM, Brasil

Fabian Jorge Piñeyro - Universidade Pio Décimo/PIOX/Aracaju, Brasil

Jacqueline Ramos - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Jean-Claude Laborie -Université de Paris Ouest-Nanterre-La Défense, França

José Amarante Santos Sobrinho - Universidade Federal da Bahia/UFBA, Brasil

Leonor Demétrio da Silva - Exam. DELE-Instituto Cervantes/SE, Brasil

Lúcia Maria de Assis - Universidade Federal Fluminense/UFF, Brasil

Luciene Lages Silva - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Marcos Fonseca Ribeiro Balieiro - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Maria A. A. de Macedo - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Oliver Tolle - Universidade de São Paulo/USP, Brasil

Renato Ambrósio - Universidade Federal da Bahia/UFBA, Brasil

Rodrigo Pinto de Brito - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Romero Junior Venancio Silva - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Rosana Baptista dos Santos - Univ. Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM, Brasil

Tarik de Athayde Prata - Universidade Federal de Pernambuco/UFPE, Brasil

Ulisses Neves Rafael - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Vladimir de Oliva Mota - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Waltencir Alves de Oliveira - Universidade federal do Paraná/UFPR, Brasil

William John Dominik - University of Otago, New Zealand (Professor Emeritus), Nova Zelândia

 

EDITORIA

Luciene Lages Silva - Editora Chefe

Beto Vianna - Editor Adjunto

Maria A. A. de Macedo - Editora Adjunta

PREPARAÇÃO DOS ORIGINAIS

Luciene Lages Silva

REVISÃO DOS ABSTRACTS

William Dominik

CAPA e EDITORAÇÃO ELETRÔNICA

Julio Gomes de Siqueira


IMAGEM DA CAPA: Padrão Shima-Shima (1904), de Furuya Korin (1875-1910)

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons
Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.


Sumário

Apresentação

Maria A. A. de Macedo, Luciene Lages, Beto Vianna

Surgida há quase uma década, A Palo Seco, em seu primeiro número de 2009, integrou os textos originalmente concebidos para o “I Colóquio Filosofia e Literatura do GeFeLit” realizado em finais de 2008. Deste, participavam pesquisadores das duas esferas de conhecimento, que tinham em conta a superação da simples adição “e” para pensar a interface filosofia-literatura. Em meio às entreajudas acanhadas e aos rechaços mais inflamados provocados pela aproximação das duas esferas do conhecimento ao longo da história – ainda motivo de dissenso no início do século XXI – atualmente instala-se um certo apaziguamento (ou hiato, interrupção) nessa relação, abrandando a necessidade obsedante de legitimar essa interdisciplina- ridade por meio de inúmeros estudos teóricos. Se nos primeiros anos A Palo Seco ocupou-se destes estudos, nos dias atuais a defesa inconteste da aproximação entre filosofia-literatura liberta-as no seu ir-e-vir.

Neste número 11/2018 da revista A Palo Seco: escritos de filosofia e literatura comparecem, como acontece desde 2015, duas seções: os artigos que tematizam a interface filosofia e literatura e a segunda seção, dedicada às traduções. Estando em interação com o momento atual, nossa revista insere seus artigos nos debates recentes sobre política e ideologia ancorados em uma filosofia da linguagem, em uma filosofia política, em uma linguagem ideológica que se revela e esconde-se na rede complexa de simulações-simulacros e dissimulações no interior da literatura.

O primeiro artigo que abre este número intitula-se Filosofia da linguagem e ideologia no Círculo de Bakhtin, de autoria de Luiz Rosalvo da Costa. Encontraremos aí uma discussão sobre as imbricações de uma filosofia da linguagem, ou uma concepção da linguagem – seu caráter dialógico, defendido no contexto do “Círculo de Bakhtin” – com o fenômeno ideológico, em um ambiente intelectual (a recém-criada URSS) a que afluíam várias correntes teóricas, e entre elas, como esperado, e destacadamente, o marxismo. Frente a críticas como a de Sériot (um dos tradutores da obra para o francês), de que Marxismo e Filosofia da linguagem, do bakhtiniano Volóchinov, não seria nem marxista, nem dialógico, Costa nos lembra que os trabalhos do círculo refletem as “indagações no âmbito de uma filosofia da linguagem que se propõe marxista”, uma articulação que coloca em relação (digamos) dialética, o dialógico e o ideológico.

O artigo seguinte guarda um certo parentesco com o anterior, no cuidado do estudo entre a filosofia política e, se menos calcada diretamente na filosofia da linguagem – como o é o artigo anterior – , mais assentada em certos topos da obra literária, como a de Saramago. Após décadas de críticas às imperfeições da representação democrática, consubstanciadas nas propostas de democracia direta ou participativa, a filosofia política viu (re)nascer, nos anos 1980, um representative turn, reabrindo a possibilidade de se discutir modos representativos do exercício do poder. No artigo The Representative Turn in Democratic Theory and Saramago’s Critique of Representation, Gustavo H. Dalaqua propõe, à luz da virada representativa, uma visão (com ou sem trocadilho) de Seeing, de José Saramago (Ensaio sobre a Lucidez, em português), não como um manifesto da incompatibilidade entre representação e democracia, como aparece em leituras correntes da obra, mas uma reflexão sobre as condições em que democracia e representação são conciliáveis.

O terceiro artigo figurado neste número de A Palo Seco, apresentado por Clarice Loureiro e Carlos Japiassú, analisa o conto “O Espartilho”, do livro A Estrutura da Bolha de Sabão, de Lygia Fagundes Telles. Ele irá introduzir a história da indumentária trilhando caminhos da história da própria sociedade brasileira (mas passível dessa indumentária evocar outras, como a europeia). Em uma interdisciplinaridade penetrada também do domínio da História e da Antropologia, aparecem aportes teóricos da filosófica não-transcendente, a partir do século XX, com os textos de M. Foucault, precisamente o tema da sexualidade e suas relações com os poderes, tanto os tradicionais ou aqueles dispersos em qualquer relação social. O tema do espaço, em uma perspectiva filosófica, surge no artigo a partir de uma rápida revisitação do texto de G. Bachelard, objetivando uma discussão que pretende assinalar o espaço privilegiado – o da casa – como elemento incorporado na construção e no significado dessa narrativa.

Iasmim Santos Ferreira, em A contaminação irônica na crônica machadiana: o velho Senado, analisa a crônica “O Velho Senado”, de Machado de Assis, em uma visada histórica-estética que atravessa o período da Segunda República do Brasil. Apresenta a autora, em seu artigo, a influência dos recursos cômicos da tradição luciânica, que segue a sátira menipeia, arrematando-os com outros estudos sobre o assunto de outros domínios do conhecimento, tais como os da filosofia (Henri Bergson), da psicanálise (Sigmund Freud) para trazer à luz os procedimentos formais da literatura com os quais é construída a sátira de Machado – sobre o Senado, os políticos e a política no cenário brasileiro de 1860.

Fechamos a sessão de artigos com Machado e é ele também que abre nossa seção de tradução. A tradução de Fabian Piñeyro, em versão bilíngue português-espanhol de “O Parasita I” e o “Parasita II”, dá acesso ao leitor nativo de língua espanhola a essas duas crônicas. Inicialmente, a tradução foi feita por encomenda para um curso na Universidade de La Plata, conforme apresentação de Jacqueline Ramos que acompanha a tradução. Temos aqui, outro exemplo da influência da tradição luciânica nas crônicas de Machado, em que “o humor e a ironia na configuração de uma perspectiva cética” conjuga comicidade e filosofia. O tema do parasitismo de Luciano é retomado por Machado em cinco crônicas, publicadas na revista O espelho, em 1859: “O fanqueiro literário”, “Parasita I”, “Parasita II”, “O empregado público aposentado” e “O folhetinista”.

A seguir, no contexto da filosofia da linguagem, Beto Vianna propõe traduzir para o português “Linguistic approaches to philosophical problems”, de Alice Ambrose, publicado originalmente em 1952 na revista The Journal of Philosophy. Filósofa norte-americana da tradição analítica, Ambrose produziu intensamente na segunda metade do século XX. Estudando na Cambridge, Inglaterra, dos anos 1930, a autora integrou o reduzido círculo de discípulos para quem Wittgenstein ditou seus cadernos Azul e Marrom, presságios da virada epistemológica desse filósofo e, para muitos, de toda a filosofia da linguagem. No artigo, Ambrose examina diferentes abordagens linguísticas da filosofia, bem como a própria concepção (ou concepções) do afazer filosófico.

Encerramos nosso número com uma última tradução: um pequeno tratado de Plutarco, historiador e filósofo grego do séc. I, o ΠΕΡΙ ΤΥΧΗΣ, Sobre a fortuna, ou na versão romana De Fortuna, em que Luciene Lages Silva e Vladimir Gonçalves Lachance propõem uma versão do original grego para a língua portuguesa. A τύχη, týche (fortuna, sorte, acaso), atravessa a história grega, tendo sido tanto descrita como uma divindade – filha do deus Oceano e da deusa Tétis – quanto como um conceito filosófico na Física de Aristóteles, entre outros autores. No tratado, Plutarco exalta a prudência e a inteligência como principais virtudes a serem buscadas e se contrapõe a ideia de que a týche está vinculada ao destino, excluindo assim qualquer domínio do ser humano sobre a virtude e o vício.

Finalmente, agradecemos a todos que participaram deste número de nossa revista, notadamente aos autores e tradutores das contribuições deste número 11, aos membros do corpo editorial, aos pareceristas, aos editores e ao nosso programador, Júlio G. de Siqueira. Chamamos à leitura deste número e convidamos aqueles que trabalham nas esferas da filosofia e da literatura, assim como aqueles que se dedicam à tradução, a participarem de nossa revista.

Os editores
Maria A.A. Macedo
Luciene Lages Silva
Beto Vianna

4

Filosofia da linguagem e ideologia no Círculo de Bakhtin

Luiz Rosalvo Costa

Universidade Federal de Sergipe/UFS-Ita

RESUMO
O presente artigo apresenta uma reflexão exploratória sobre o modo como uma determinada abordagem da filosofia da linguagem se relaciona com a questão da ideologia na obra do Círculo de Bakhtin. Levando em conta que o ambiente intelectual em que esse grupo de pesquisadores elabora as bases da sua reflexão se constitui em meio a um intenso fluxo de matrizes teóricas entre as quais o marxismo ocupa um lugar de destaque, esse artigo busca mostrar como, em proposições extraíveis dos trabalhos de Medviédev, Volóchinov e Bakhtin, indagações no âmbito de uma filosofia da linguagem que se propõe marxista articulam-se com um determinado entendimento acerca do fenômeno ideológico.
PALAVRAS-CHAVE: Círculo de Bakhtin. Linguagem. Ideologia. Enunciado. Gênero discursivo.

ABSTRACT
This article presents an exploratory reflection about how a particular approach of the philosophy of language relates to the question of ideology in the work of the Bakhtin Circle. Taking into account that the intellectual environment in which this group of researchers elaborates the bases of its reflection is constituted in the midst of an intense flow of theoretical matrices between which Marxism occupies a prominent place, this article attempts to show how, in extracts of propositions from the works of Medvedev, Volóchinov and Bakhtin, questions within the framework of a philosophy of language that is Marxist dovetail with a particular understanding of ideological phenomena.
KEYWORDS: Bakhtin Circle. Language. Ideology. Utterance. Discursive genre.

Recebido em 22/07/2018
Aprovado em 30/10/2018

7

The Representative Turn in Democratic Theory and Saramago’s Critique of Representation

Gustavo H. Dalaqua

Universidade de São Paulo/USP

ABSTRACT
The critique of political representation put forward by José Saramago in Seeing has been interpreted as a defense of the incompatibility between representation and democracy. Saramago’s novel, however, can be read as a literary exemplar of the recent “representative turn” in democratic theory. Although Saramago’s rejection of representation and mainstream political parties in Seeing might give the impression that Saramago was completely against representation and political parties, a comparison of this novel with one of Saramago’s essays on democracy reveals that Saramago was seeking to investigate under what conditions democracy and representation are reconciliable.
KEYWORDS: José Saramago. Representative turn. Sovereignty. Political representation. Democracy.

RESUMO
A crítica à representação política exposta por José Saramago em Ensaio sobre a lucidez foi interpretada como uma defesa da incompatibilidade entre representação e democracia. Pode-se, contudo, ler o romance de Saramago como um exemplar literário da recente “virada representativa” na teoria democrática. Embora o repúdio de Saramago à representação e aos partidos políticos tradicionais em Ensaio sobre a lucidez possa dar a impressão de que ele era totalmente contra a representação e os partidos políticos tradicionais, o cotejo deste romance com um dos ensaios de Saramago sobre democracia revela que Saramago buscava investigar sob quais condições democracia e representação são conciliáveis.
PALAVRAS-CHAVE: José Saramago. Virada representativa. Soberania. Representação política. Democracia.

Recebido em 16/05/2018
Aprovado em 16/10/2018

18

Uma análise da construção identitária feminina no lar burguês de meados do século XX, a partir do conto “O Espartilho”, de Lygia Fagundes Telles

Clarissa Loureiro | Carlos Eduardo Japiassú de Queiroz

Universidade Federal de Pernambuco/UFPE | Universidade Federal de Sergipe/UFS

RESUMO
Este trabalho discute como o espartilho torna-se um artifício de construção identitária feminina no conto “O Espartilho”, do livro A Estrutura da Bolha de Sabão, de Lygia Fagundes Telles. Para tanto, analisa-se como o espartilho se torna um instrumento de realização de um discurso disciplinar sobre corpos femininos, e como a protagonista, Ana Luísa, mina este mesmo discurso ao se tornar um corpo liberto dessa indumentária. Assim, o aporte teórico a ser discutido neste artigo debruça-se sobre os seguintes temas: sexualidade (FOUCAULT, 2006), o corpo como objeto de adestramento de um discurso disciplinar (FOUCAULT, 1984), a casa como espaço de devaneio, e o cofre, como lugar de segredos (BACHELARD, 1978), a associação entre objeto biográfico e personalidade humana (BOSI, 1994) e a diferença entre modo de vestir e indumentária (BARTHES, 1967). Dessa forma, analisa-se a relação existente entre sexualidade, corpo e poder, a partir dos vínculos estabelecidos entre as personagens e o uso do espartilho.
PALAVRAS-CHAVE: Literatura Brasileira. Sexualidade. Discurso Disciplinar.

ABSTRACT
This article discusses how the corset is constructed as a device of feminine identity in the short story “The Corset” in the book titled A Estrutura da Bolha de Sabão (The Structure of the Soap Bubble) by Lygia Fagundes Teles. It analyzes not only how the corset is used as a concretizing instrument of disciplinary discourse on female bodies but also how the protagonist Ana Luísa undermines this same discourse when freed from the constraints of this undergarment. The theoretical side of this article is based upon the following themes: sexuality (FOUCAULT, 2006), namely the body as an instrument of the training of a disciplinary discourse (FOUCAULT, 1984); the house as a space of reverie and the safe as a place of secrets (BACHELARD, 1978); the association between the biographical object and human personality (BOSI, 1994); and the difference between the manner of dress and clothing (BARTHES, 1967). Through this theoretical lens, the relationship between sexuality, body and power is analyzed starting from the links established between the characters and their use of the corset.
KEYWORDS: Brazilian Literature. Sexuality. Disciplinary Action.

Recebido em 22/07/2018
Aprovado em 03/10/2018

23

A contaminação irônica na crônica machadiana: O velho senado

Iasmim Santos Ferreira

Universidade Federal de Sergipe (PPGL-UFS)

RESUMO
Este trabalho analisa, à luz da “contaminação irônica” da tradição luciânica, a crônica “O Velho Senado”, de Machado de Assis, a qual apresenta um retrato de valor histórico e literário para a compreensão da política brasileira. Para tanto, recorremos aos estudos de Brandão (2001) e Sá Rego (1989), que versam sobre essa tradição, e a outros, para subsidiar as análises do gênero crônica e dos recursos cômicos utilizados; a saber, Brayner (1982), Cardoso (1992), Candido (1992), Freud (1977), Bergson (2007).
PALAVRAS-CHAVE: Machado de Assis. Crônica. Política.

ABSTRACT
This work analyzes, in light on “ironic contamination” for the lucianic tradition the chronicle “O Velho Senado”, by Machado de Assis, that represents a portrait of historical and literary value to the comprehension of Brazilian policy. To do so, we resort the Brandão (2001) and Sá Rego (1989) studies, that talk about this tradition; and others, to subsidize the analyses of the chronicle genre and the used comic resources, knowing, Brayner (1982), Cardoso (1992), Candido (1992), Freud (1977), Bergson (2007).
KEYWORDS: Machado de Assis. Chronicle. Policy.

Recebido em 26/06/2018
Aprovado em 04/10/2018

32
Traduções

Os parasitas machadianos

Fabian Piñeyro | Jacqueline Ramos

Faculdade Pio Décimo-Aracaju | Universidade Federal de Sergipe-Itabaiana

“O Parasita I” e “O Parasita II” são as duas crônicas de Machado de Assis traduzidas para o espanhol por Fabian Piñeyro e que foram experimentadas em um minicurso ministrado por mim na Universidad Nacional de La Plata, no Centro de Estudos Helènicos, onde desenvolvi minha pesquisa de pós doutorado, no ano de 2018, ocasião em que me dediquei ao estudo da sátira menipeia e da tradição luciânica.

A sátira menipeia constitui-se de uma longa tradição que remonta a Menipo de Gadara, filósofo cínico e escritor sarcástico e burlesco que existiu por volta da primeira metade do século III a.C. Suas obras estão todas perdidas, mas conhecemos em parte seu estilo e temas a partir de dois escritores antigos que ligam explicitamente suas obras a Menipo: Varro e Luciano, este último escreveu vários diálogos em que Menipo figura como personagem. Luciano de Samosata foi um sírio helenizado que viveu no século II d.C. e que exerceu grande influência no ocidente a partir do Renascimento em autores como Erasmo, Rabelais, Sterne, Cervantes, Swift, L. Carrol, James Joyce e o nosso Machado de Assis...

Recebido em 05/10/2018
Aprovado em 01/11/2018


48

Linguistic approaches to philosophical problems, de Alice Ambrose

Beto Vianna

Universidade Federal de Sergipe-Itabaiana

Proponho aqui a tradução de um texto de Alice Ambrose Lazerowitz (1906-2001), filósofa norte-americana da tradição analítica, que produziu principalmente entre os anos 40 e 80 do século XX. A filosofia analítica reinou (e ainda viceja) na Inglaterra, nos EUA, e em outros países de língua inglesa, em oposição ao que se costuma chamar de “filosofia continental” (a fenomenologia, o pós-estruturalismo...), marcando, no domínio da filosofia, a divisão de espólio da hegemonia acadêmica euro-americana no ocidente (nós, brasileiros, que o digamos).

O texto aparece originalmente na revista The Journal of Philosophy, uma publicação acadêmica da Universidade de Columbia, na sua edição de abril de 1952, que foi a fonte principal da minha proposta de tradução. Utilizei também a versão do artigo publicada em uma antologia editada por Richard Rorty em 1967 (e reeditada em 1992), que reúne textos seminais ou iluminadores da “virada linguística” em filosofia. O parágrafo conclusivo do texto de Ambrose é diferente na versão da antologia de Rorty, e preferi usar, como já disse, a versão original para minha tradução...

Recebido em 16/11/2018
Aprovado em 01/12/2018


58

PERI TYXHS, Sobre a Fortuna, de Plutarco

Luciene Lages Silva | Vladimir Gonçalves Lachance

Universidade Federal de Sergipe/UFS-Ita | Universidade de São Paulo/FE/USP

Plutarco, em geral, é identificado como um platonista, argumento pautado entre outras coisas em sua interpretação do Timeu e outros tratados polêmicos contra os Estoicos e Epicureus. Certos estudiosos como K.M. Westaway (1922, p. 31) defendem que na mente de Plutarco a filosofia e a religião estão conectadas de modo vital, há, em seu pensamento, uma relação de reciprocidade entre o uso da razão e a piedade para com os deuses. O tratado Sobre a Fortuna de Plutarco é um escrito de filosofia ética, de caráter polêmico, em certo sentido, é uma defesa da liberdade humana, notadamente da autonomia intelectual e moral do homem, contra um determinismo nas ações humanas, que poderia identificar a τύχη, tyche (fortuna, sorte, acaso) como ilimitada ou com o destino, excluindo assim qualquer domínio do ser humano sobre a virtude e o vício. Plutarco constrói sua própria teoria a respeito do tema, critica outros autores que lhe pareceram equivocados, tais como estóicos e epicuristas, refutando a doutrina daqueles que consideravam que a τύχη, tyche, governava a vida dos homens e defendendo a importância, o valor da εὐβουλία (prudência) e da φρόνησις (inteligência), virtudes indispensáveis para viver bem e feliz. Inclusive, alguns estudiosos consideram o PERI TYXHS, Sobre a Fortuna, um escrito da fase madura de Plutarco, na qual se desenvolve parte dos seus trabalhos antiestoicismo...

Recebido em 07/10/2018
Aprovado em 27/11/2018


77

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