Histórico do GeFeLit 


A Palo Seco - N.11

A Palo Seco 2019
chamada para publicação

A partir desse ano de 2019,
A Palo Seco adotou o sistema de submissão em fluxo contínuo. Para o número de 2019 serão avaliados os artigos e traduções encaminhados até o dia 30 de junho de 2019.

Anais do IV Colóquio
Filosofia e Literatura: Poética

Com muita satisfação apresentamos os Anais do 4º Colóquio GeFeLit.
São 48 trabalhos sendo 3 conferências (resumos), 21 palestras (resumos) e 24 comunicações (textos completos).

Você tem notícia do latim?

A tese “Dois tempos da cultura escrita em latim no Brasil: o tempo da conservação e o tempo da produção – discursos, práticas, representações, proposta metodológica” do prof. José Amarante Sobrinho recebeu o Prêmio Capes de Teses 2014 - Letras e Linguística

Histórico do GeFeLit


O Grupo de Estudos em Filosofia e Literatura (GeFeLit) congrega professores de diversos departamentos, principalmente de Filosofia e Letras, e de diversas universidades interessados nas relações entre Filosofia e Literatura.  O início das atividades do grupo remonta a 2008, quando realizamos nosso I Colóquio, que permitiu ensaiar as possibilidades de pesquisa nessa interface. Com a consolidação do grupo em 2009, efetivamos o cadastro do GeFeLit junto ao Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq. Atuando, portanto, há 10 anos, o GeFeLit conta atualmente com 17 membros pesquisadores e um técnico, sendo a maior parte dos membros dos quadros da UFS, envolvendo: o Departamento de Filosofia, o Departamento de Letras Vernáculas, o Departamento de Letras Estrangeiras, o Departamento de Letras de Itabaiana, o Departamento de Ciências Sociais, o Departamento de Teatro e o Departamento de Artes Visuais.  Os demais membros do grupo são profissionais de outras instituições públicas: Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Universidade de São Paulo (USP).

Como colocado, o grupo foi criado após a realização do I Colóquio Filosofia e Literatura, ocorrido em dezembro de 2008, que foi o primeiro passo de concreção de uma intenção acalentada por um grupo de professores-pesquisadores que descobriram possuir uma preocupação e um interesse em comum: reconhecer e cultivar nossa dependência mútua e, assim, abrir espaço para discutir as interfaces pertinentes pelas quais Filosofia e Literatura se complementam, contrastando-se. O grupo pretendia, além disso, discutir as consequências para nossa atuação prática em humanidades que uma aproximação entre essas áreas permitiria extrair. O I Colóquio foi proposto como um ensaio, em que se vislumbrou a possibilidade de investigação interdisciplinar dentro de nosso contexto profissional, com vistas a estabelecer um campo de pesquisa na instituição. O Colóquio foi muito profícuo, resultando no registro do grupo de pesquisas em Filosofia e Literatura (GeFeLit) junto ao CNPq no início de 2009 e na criação da revista A Palo Seco: escritos de filosofia e literatura (E-ISSN 2176.3356), inicialmente com o objetivo de divulgar os trabalhos dos membros do grupo e divulgar o “exercício conversacional” entre as áreas que procurávamos promover. O GeFeLit criou também um site (www.gefelit.net) para abrigar a revista, registrar e divulgar as atividades do grupo.

Esse I Colóquio representou um momento de tomada de consciência para um debate que diz respeito não apenas à relação da Literatura com a realidade, não apenas à Literatura e suas pontes com pensamento e o conhecimento, não apenas às relações entre a Filosofia e a Literatura como buscas do autoconhecimento e do conhecimento do mundo, mas todos esses aspectos conjuntos, sem esquecer, porém, que eles não se podem pretender mais do que realmente são: justamente aspectos, pontos-de-vista, perspectivas discordantes e complementares sobre relações cultivadas há séculos.  Por isso, o passo seguinte do grupo foi o de discutir as possibilidades metodológicas do encontro entre as áreas, o que se deu através do I Seminário de Pesquisa.

A proposta do Seminário foi a de colocar em discussão os fundamentos e as perspectivas possíveis do encontro entre Filosofia e Literatura. Isso se deu por meio de um ciclo de palestras, que ocorreram em encontros mensais ao longo do ano de 2009, momento em que os membros do grupo, a partir da especificidade de pesquisa de cada um, apresentavam trabalhos a propósito do enfrentamento metodológico do encontro entre as áreas. Mais uma vez se descortinaram ricas possibilidades investigativas: tratou-se do papel que desempenha a poesia na Filosofia de Platão; do uso estratégico da pseudonímia em Kierkegaard; de Wittgenstein e a teoria da Literatura; da problemática da linguagem em Wittgenstein e em Gertrude Stein; da abordagem filosófica na crítica de Benedito Nunes; do conceito de mímesis em Aristóteles; do conceito de reconhecimento em Honneth e Manuel Puig. Esse leque de trabalhos apresentados trouxe consciência acerca da amplitude da problemática que se impõe nessa larga zona de intersecção entre Filosofia e Literatura.

As consequências teórico-metodológicas do encontro entre Filosofia e Literatura se impuseram ao grupo como problema, que continuou sendo enfrentado em nosso II Colóquio “Filosofia e Literatura: fronteiras”, realizado em 2010. Com apoio da Capes, nosso evento se abriu a contribuições externas, com a participação de pesquisadores renomados como Benedito Nunes que nos ofertou a palestra "Physis, Natura Heidegger e Merleau-Ponty" e o Prof. Dr. Roberto Machado (UFRJ) com “Deleuze e a Literatura”. Foram 34 trabalhos apresentados entre comunicações, palestras e conferência, congregando cerca de 150 interessados entre pesquisadores, profissionais, estudantes de graduação e de pós-graduação de diversas localidades e universidades.

Esse evento ajudou-nos a amadurecer a proposta de um curso de especialização capaz de suprir a demanda local, contribuindo na formação profissional dos egressos dos cursos de graduação e dos profissionais do magistério público. A especialização também contribuiu na consolidação do grupo interessado nesse efetivo campo fronteiriço e frutífero de investigação em que reflexão filosófica e Literatura convergem. No biênio 2011-12, o grupo implementou um curso de especialização em Filosofia e Literatura, de 360h, abrigado pelo Centro de Educação e Ciências Humanas da UFS. Foram ofertadas 40 vagas e houve mais de 80 inscrições. No final da edição, a título de exemplo, resultaram monografias de final de curso dos concludentes, que expressaram, mediante elementos conceituais e bibliográficos, a interface Filosofia e Literatura nos seguintes trabalhos: Entre Balzac e Benjamin: A cripitalização do Espírito Humano, por Otávio Monteiro Pereira; Comicidade em O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino, por Hudson Oliveira Fontes Aragão; À espera de Godot: uma leitura interpretativa de Beckett à luz do pensamento Heideggeriano, por Poliana Marques Cordeiro Costa; Aldous Huxley entre Platão e Aristóteles, por Marcos Farjalla; Representações do homoerotismo masculino em Caio Fernando Abreu, por Marcos Roberio Nobre de Lima; "Um ladrão" fora do sério, por Amanda de Andrade Oliveira; Desconstruir para construir: os caminhos Filosófico-Literários da formação identitária de Marjane Satrapi em Persépolis, por Irla Suellen da Costa Rocha; O estatuto da linguagem poética na politeia de Platão, por Flaubert Marques da Cruz; A Melancolia nas Letras da Legião Urbana, por Isaac Dourado Aragão; Nietzsche e Dostoiévski: Conhecimento na interface Filosofia e Literatura, por Roger Santos Soares; Poesia e pensamento: algumas notas a partir de Brecht e Gramsci, por Fabiana Lisboa Ramos Menezes.

Em 2013, a terceira edição de nosso Colóquio provocou a interlocução entre as áreas com o tema “O Cômico” e teve cerca de 200 inscritos entre pesquisadores, profissionais e estudantes de graduação e pós-graduação de diversas localidades e universidades. Graças ao apoio da Capes, pudemos trazer seis importantes pesquisadores para as conferências: na abertura, o prof. Dr. Jacyntho Lins Brandão (UFMG) nos brindou com seu “O comediante e o filósofo” e a profa. Dra. Adriane Duarte (USP), com “O filósofo e o riso: vida de Esopo”; na segunda noite, “A arte relê a arte: Sartre e Giacometti” com a profa. Dra. Deise Quintiliano (UERJ) e “O prefácio, o livro, o autor: de Foucault à Borges” com prof. Dr. Philippe Sabot (Lille 3, França); nas conferências de encerramento, “A energia poética das florestas críticas de Herder” com prof. Dr. Marco Aurélio Werle (USP) e “Riso e imaginação em Francis Hutcheson”, com prof. Dr. Márcio Suzuki (USP).  Esse III Colóquio congregou 57 trabalhos entre conferências, mesas e sessões de comunicações, envolvendo pesquisadores da UFS, da UFBA, da UFF, da UFPE, da UFG, da UFV, da UFMG, da USP, da UESB e da Lille 3. O evento contou com caderno de resumos, Anais com os textos completos das comunicações e um número especial da revista A Palo Seco (n. 5, em dois volumes) com os textos completos das conferências e palestras.

Em 2014, foi organizado o II Seminários de Pesquisa, evento que foi realizado no campus localizado no agreste sergipano, em Itabaiana, voltado para os alunos do curso de letras, mas que contou com discentes de outras licenciaturas, como educação e geografia. Durante o passar do ano contamos com cinco conferências que foram realizadas no auditório do Campus Alberto de Carvalho. Na ocasião, recebemos os seguintes conferencistas: Prof. Dr. José Amarante (UFBA), que apresentou sua pesquisa sobre “O Latim na Literatura Brasileira: enfeitar, impressionar, ridicularizar”; Profa. Ms. Leonor Demétrio da Silva (UFS), com “A comicidade no romance picaresco”; Prof. Dr. Tárik Prata (UFPE), com “A concepção de Sartre sobre a imaginação”; Profa. Dra. Carlota Ibertis (UFBA), com “Prazeres e dores da estátua: aspectos literários e filosóficos da ficção condillaciana”; Prof. Dr. William Dominik (Otago), com “Política e poesia em Atenas: as Rãs de Aristófanes”.

Novamente apoiados pela Capes, em 2017 organizamos o IV Colóquio Filosofia e Literatura: Poética. O tema, de amplo espectro, atraiu inúmeras perspectivas, como pode ser percebido nos Anais que documentam o evento. Com verba mais reduzida, contamos com uma conferência por noite, com renomados intelectuais: “A poesia pré-modernista brasileira: uma crítica da crítica” proferida pelo poeta, ensaísta e escritor Alexei Bueno; “A poética de Aristóteles e o Averroes de Borges: Literatura, diversidades e conflitos” apresentada pela profa. Dra. Maria das Graças de Souza, do Departamento de Filosofia da USP; e, encerrando os trabalhos do evento, “Linguagem: seus lances e limites” do prof. Dr. Lourival Holanda, do Departamento de Letras da UFPE. Além das conferências, o evento contou com 21 palestras e 34 comunicações, todas alinhadas ao tema do colóquio e/ou à interface Filosofia e Literatura. Participaram da programação professores, pesquisadores, pós-graduandos, graduados e graduandos de 15 diferentes universidades, em sua maioria públicas: UFS, UFPE, UFBA, UFMG, USP, UFRN, UNEB, UFG, UFF, UFC, UFOP, UFRJ, UFAL, PUC-Rio, UNIT.

Sob o ponto de vista quantitativo, então, o GeFeLit promoveu quatro Colóquios, dois Seminários de Pesquisa, um curso de especialização. Além disso, o grupo mantém, desde 2009, como já relatado, um site para divulgação e registro das atividades (www.gefelit.net), que abriga nossa revista anual, A Palo Seco, com dez números lançados e os Anais dos eventos.

Acreditamos que a descrição dessa agenda de atividades dê a ver o percurso do grupo, bem como o modo como esse espaço interdisciplinar vem se configurando através das pesquisas e das ações conduzidas. Nossa atuação, vale ressaltar, tem procurado enfrentar os desafios teóricos e metodológicos que se apresentam ao se lidar com a interdisciplinaridade.

Finalmente, o amadurecimento gestado nesse percurso mostra um vasto espaço de intersecção entre as áreas, com pesquisas que podem ser organizadas pelos modos de relação: o estudo da Literatura pela Filosofia, a recepção da Filosofia pela Literatura, a relação instrumental que pode ser estabelecida entre as áreas, o estudo da linguagem e suas implicações para a Filosofia e a Literatura, que se desdobra no problema da produção de sentido, da interpretação e da tradução.


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