A Palo Seco, N. 12, 2019 - Escritos de Filosofia e Literatura 


A Palo Seco - N.12

Anais do IV Colóquio
Filosofia e Literatura: Poética

Com muita satisfação apresentamos os Anais do 4º Colóquio GeFeLit.
São 48 trabalhos sendo 3 conferências (resumos), 21 palestras (resumos) e 24 comunicações (textos completos).

Você tem notícia do latim?

A tese “Dois tempos da cultura escrita em latim no Brasil: o tempo da conservação e o tempo da produção – discursos, práticas, representações, proposta metodológica” do prof. José Amarante Sobrinho recebeu o Prêmio Capes de Teses 2014 - Letras e Linguística

A Palo Seco, Ano 11, N. 12, 2019
Escritos de Filosofia e Literatura


CONSELHO EDITORIAL

Alexandre de Melo Andrade - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Anelito Pereira de Oliveira - Universidade Federal de Minas Gerais/NEIA/UFMG, Brasil

Camille Dumoulié - Université de Paris Ouest-Nanterre-La Défense, França

Carlos Eduardo Japiassú de Queiroz - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Celina Figueiredo Lages - Universidade Estadual de Minas Gerais/UEMG, Brasil

Christine Arndt de Santana - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Conceição Aparecida Bento - Univ. Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri/UFVJM, Brasil

Fabian Jorge Piñeyro - Universidade Pio Décimo/PIOX/Aracaju, Brasil

Jacqueline Ramos - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Jean-Claude Laborie -Université de Paris Ouest-Nanterre-La Défense, França

José Amarante Santos Sobrinho - Universidade Federal da Bahia/UFBA, Brasil

Leonor Demétrio da Silva - Exam. DELE-Instituto Cervantes/SE, Brasil

Lúcia Maria de Assis - Universidade Federal Fluminense/UFF, Brasil

Luciene Lages Silva - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Marcos Fonseca Ribeiro Balieiro - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Maria A. A. de Macedo - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Oliver Tolle - Universidade de São Paulo/USP, Brasil

Renato Ambrósio - Universidade Federal da Bahia/UFBA, Brasil

Rodrigo Pinto de Brito - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Romero Junior Venancio Silva - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Rosana Baptista dos Santos - Univ. Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri/UFVJM, Brasil

Tarik de Athayde Prata - Universidade Federal de Pernambuco/UFPE, Brasil

Ulisses Neves Rafael - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Vladimir de Oliva Mota - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Waltencir Alves de Oliveira - Universidade federal do Paraná/UFPR, Brasil

William John Dominik - University of Otago, New Zealand (Professor Emeritus), Nova Zelândia

 

EDITORIA

Beto Vianna - Editor Chefe

Luiz Rosalvo Costa - Editor Adjunto

Carlos Eduardo Japiassú - Editor Adjunto

EDITORA-GERENTE

Luciene Lages Silva

PREPARAÇÃO DOS ORIGINAIS

Beto Vianna

PROJETO GRÁFICO e DIAGRAMAÇÃO

Julio Gomes de Siqueira


IMAGEM DA CAPA: Cachoeiras de Sangue (Antártida), por Peter Rejcek, 2006.

Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons
Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.


Sumário

Apresentação

Beto Vianna, Luiz Rosalvo Costa, Carlos Eduardo Japiassú de Queiroz

Para que pudéssemos apontar relações entre filosofia e literatura – razão de ser desta revista APalo Seco – foi preciso que se inventasse, no Ocidente, assentos marcados para esses modos não necessariamente distintos de falar e de ouvir. O texto literário chinês mais importante, pré-dinastia Qin, são as parábolas reunidas de Chuang Tzu, do século VI antes da era cristã. O texto é documento-chave da filosofia taoísta e precursor do zen-budismo. Podemos também pensar no vigor poético (e mítico) da língua entre os Mbyá-Guarani, sugerindo a Pierres Clastres, em A sociedade contra o Estado, que não há, para os ameríndios, linguagem poética, pois sua linguagem já é “um poema natural em que repousa o valor das palavras”. Em seu Oriki orixá, Antônio Risério vai mais longe ao nos dizer que pode haver povos sem deuses (a exemplo dos Kisêdjê, do Alto Xingu – mas há outros) e não existir, no planeta, um só povo sem poesia.

Entre nós, contudo, aprendemos, desde Platão, que há só uma história digna de ser contada, e com Kant, que olhar para o conhecimento e a moralidade depende de princípios universais, assegurando um lugar exclusivo para a filosofia, anterior às culturas. Mas somos bons, também, em desaprender os reflexos mais ferozmente condicionados. Desconfortáveis na própria seara da filosofia, de Nietzsche a Heidegger, de Sartre a Deleuze (para ficar nos machos brancos da chamada filosofia continental), muitos redescobriram o afazer literário não como aproximação a um gênero distinto, mas no exercício de escutar (ou ler) vozes nunca antes escutadas ou lidas. Ou ainda, como queria Richard Rorty, a filosofia como “política cultural”: como algo esperançosamente melhor (e não Bom, ou Verdadeiro) a dizer. Nada que a literatura não saiba oferecer.

Nesta edição de número 12 da A Palo Seco, o fio condutor é justamente essa “virada literária” em filosofia, ainda que, fazendo jus aos propósitos bilíngues da revista, longe de puxar toda a brasa para a sardinha filosófica, ela faça coro com as vozes consideradas nativas na literatura. Assim é que “Da alteridade ao engajamento do autor”, o primeiro dos textos aqui reunidos, se embrenha nesse território propondo uma reflexão sobre o ético e o estético a partir das ideias de autor, autoria e engajamento. Tomando, de um lado, proposições de Bakhtin e Volóchinov e, de outro, a obra de Sartre, o artigo de Fábio Luiz de Castro Dias empreende uma interpretação dialógica por meio da qual, na busca de aproximações entre as referidas ideias, se evidencia como questões caras à literatura e à filosofia podem se encontrar. A interface de filosofia e literatura a partir do problema do engajamento é um dos focos também do artigo que vem na sequência, “A inter-relação entre filosofia e literatura”. Neste caso, o propósito do texto assinado por Rafael Bassi é comparar concepções literárias de Cortázar expostas em Alguns aspectos do conto com a ideia de engajamento presente em Sartre para, a partir dessa comparação, discutir a relação entre escrita e autoria.

O texto subsequente, “A cidade como espaço para a liberdade”, de Lwdmila Constant Pacheco, toma o personagem Luís da Silva, do romance Angústia, de Graciliano Ramos, para, no contrapelo da percepção do próprio personagem (invisibilizado, corrompido e humilhado), propor, numa perspectiva que articula o existencialismo e a psicanálise, uma leitura na qual o ambiente urbano é pensado não como espaço de degradação, mas de libertação.

Em “O aperfeiçoamento moral em Lolita”, Gilberto de Oliveira Neto traz-nos o romance de Nabokov, na conduta do personagem-narrador, como uma contribuição da imaginação literária, à semelhança de um certo entendimento da filosofia (como, por exemplo, o de Deleuze), para o modo como lidamos com os limites do moralmente aceitável. Citando Sartre (sobre um personagem de Dostoievski), Oliveira Neto lembra-nos que o comportamento do personagem não provoca a indignação ou a estima do leitor, mas serve-se delas, forçando-nos a repensar, ou a viver, “um outro que também nos constitui” (p. 41).

O artigo de José Amarante, o quinto da sequência, nos apresenta a Ausônio, um poeta latino do século IV cuja obra comporta uma produção de matiz pagão em que se destacam conjuntos de epigramas e de epitáfios. É sobre esses epigramas e epitáfios que Amarante se debruça para investigar como neles se realiza o tema da bela morte, em particular no que se refere ao universo feminino. Para esse fim, o artigo apresenta a versão de Ausônio para as mortes de Anícia e Políxena, mostrando como, no que se refere a esta última, a versão de Ausônio, afastando-se da versão de Eurípedes (na qual a morte da personagem é tratada de forma heroica), desenha a morte de Políxena como uma morte marcada pelo ultraje.

A sessão de artigos termina com a dobradinha alemã Hesse (por meio do romance Damien) e Nietzsche (principalmente em seu O nascimento da tragédia) em “Entre a modernidade e algo por vir: Herman Hesse leitor de Friedrich Nietzsche”, de Jivago Gonçalves. O autor argumenta que no texto de ambos – do literato e do filósofo – converge a impaciência com os pressupostos da chamada modernidade: o sujeito apartado do mundo externo, a verdade como correspondência com a realidade, e a razão como seu guia seguro, contrapondo, a tais diacríticos, a noção de autocriação.

A sessão de traduções abre, como terminou a anterior, com vozes germânicas que ecoam as gregas. O poeta Rui Rothe Neves verte, para o português, “Heimkehr des Odysseus” (“Volta de Odisseu ao lar”), de Thomas Rosenlöcher. Ambientado na Alemanha Oriental (ou na história da literatura alemã oriental) pós-guerra, o retorno do Odisseu a Ítaca ressurge, pelo poema, na “literatura dos destroços” (Trümmer-literatur), de autores retornados do exílio ou da guerra, tematizando “as perdas, os destroços, o fim da Alemanha (e, em certa medida, da Europa) tal como a conheceram” (p. 78).

Em “Por que se diz ‘fábula’ e Sobre os diversos nomes dos deuses”, a segunda tradução desta edição, Victor Campos Mamede de Carvalho nos apresenta aos dois primeiros textos do Segundo Mitógrafo do Vaticano, que fazem parte do conjunto de obras descobertas por Angelo Mai, prefeito do Vaticano em 1831, e editadas como Classicorum Auctorum e Vaticanis codicibus editorum tomus III. Acompanha a tradução um texto introdutório em que a obra e suas traduções anteriores são contextualizadas. Fecha esta edição de A Palo Seco a primeira tradução para a língua portuguesa (e, nos informa o autor, a primeira do mundo realizada lipogramaticamente) do quarto livro (Ausente D) da obra De aetatibus mundi et hominis(Das idades do mundo e da humanidade), atribuída ao escritor latino Fulgêncio. A tradução, que também conta com um texto introdutório, foi feita a partir da edição fixada por Rudolf Helm (1898).

Esperamos enfim, leitores e colaboradores, que, mal parafraseando Belchior em seu próprio “A Palo Seco”, esses cantos tortos aqui reunidos cortem, feito faca, alguma carne para todos nós.

 

Os editores
Beto Vianna
Luiz Rosalvo Costa
Carlos Eduardo Japiassú de Queiroz

4
Artigos

Da alteridade ao engajamento do autor: uma busca pela relação entre o ético e o estético nas vozes de Bakhtin e de Sartre

Fábio Luiz de Castro Dias

Universidade Federal de Lavras - UFLA

RESUMO:
Buscamos, através de uma análise descritiva e interpretativa, compreender como se dão, no Círculo de Bakhtin e no referencial teórico de Sartre, as construções das acepções de autor e de autoria sob a égide da alteridade e, consequentemente, do engajamento, assim como da afluente responsabilidade de sua constituição dialógica e de sua facticidade histórica. Para realizá-lo, embasamo-nos sobre, principalmente, as obras de Mikhail Bakhtin (2010; 2011), de Valentin Volóchinov (2017; 2019), de Jean-Paul Sartre (2015) e de Thana Mara de Souza (2008), para estabelecermos, a partir daí, uma possibilidade dialógica (mínima, quiçá) através de um encontro no qual se mantenham, pelas nossas análises, as unicidades epistemológicas, observando, contudo, as prováveis aproximações interpretativas sobre os referidos fenômenos.
PALAVRAS-CHAVE: Alteridade. Engajamento. Autoria. Autor.

ABSTRACT:
We aim, through a descriptive and interpretative analysis, to understand, inside Bakhtin’s Circle and Sartre’s theoretical works, the construction of the notions of authorand authorship under the rule of otherness and, consequently, of the engagement, as well as the idea of the affluent answerable responsibility of the author’s dialogical constitution and its historical facticity. In order to achieve that, we base ourselves on the works of Mikhail Bakhtin (2010; 2011), Valentin Vološinov (2017), Jean-Paul Sartre (2015) and Thana Mara de Souza (2008), to establish, from that, a dialogical possibility (minimally, perhaps) through a reunion in which epistemological specificities and uniquenesses were maintained by our analyses, considering, however, the  probable  interpretative  approximations about those phenomena.
KEYWORDS: Otherness. Engagement. Authorship. Author.

7

A inter-relação entre filosofia e literatura: a questão do engajamento literário em Júlio Cortázar

Rafael Bassi

Pontifícia Universidade Católica - PUC/RS

RESUMO:
O pequeno ensaio que apresentamos tem como objetivo discutir aspectos do engajamento na escrita a partir do caso de Julio Cortázar, em sua exposição “Alguns aspectos do conto”. Assim, busca-se, cotejando com as ideias de engajamento de Jean-Paul Sartre, problematizar o que o autor argentino acredita ao pensar a relação escrita e engajamento.
PALAVRAS-CHAVE: Julio Cortázar. Jean-Paul Sartre. Engajamento.

ABSTRACT:
The short essay we present aims to discuss aspects of engagement in writing based on the case of Julio Cortázar, in his exposition “Some aspects of the short-story”. Thus, we seek, collating with the ideas of engagement of Jean-Paul Sartre, to problematize what the Argentine author believes in thinking the written relationship and engagement.
KEYWORDS: Julio Cortázar. Jean-Paul Sartre. Engagement.

24

A Cidade como Espaço para a Liberdade: uma leitura psicanalítico-existencial do romance Angústia de Graciliano Ramos

Lwdmila Constant Pacheco

Universidade de Pernambuco - UPE

RESUMO:
O romance Angústia do escritor Graciliano Ramos traz várias possibilidades de leituras relacionando a cidade ao personagem Luís da Silva – sertanejo que se muda para capital de Alagoas, Maceió, e passa a refletir sobre a necessidade de sua adequação à vida urbana a partir de sua invisibilização, humilhação e corrupção. Apesar desses elementos de degradação do personagem estarem explícitos na obra, a leitura que fazemos aqui é a da cidade como espaço de libertação do personagem. A perspectiva de libertação de que nos valemos é, principalmente, a existencialista que entende a liberdade como fruto da angustiosa consciência de nossa solidão física e metafísica, a qual tende a nos impulsionar a agir em busca de nosso próprio destino ou, numa leitura psicanalítica freudiana e lacaniana, da realização de nossos desejos pelos quais somos responsáveis antes, durante e depois de sua concretização.
PALAVRAS-CHAVE: Espaço literário - Cidade. Angústia. Existencialismo. Graciliano Ramos. Literatura. Psicanálise.

ABSTRACT:
The novel writer Angústia Graciliano Ramos brings a lot of reading possibilities linking the city to the Silva Luis character – frontiersman who moves to the capital of Alagoas, Maceió, and begins to reflect on the need for its adaptation to urban life from that of their invisibility, humiliation and corruption. Despite these character degradation elements are explicit in the work, the reading we do here is to the city as the character release space. The prospect of liberation that we use is mainly existentialist who understands freedom as a result of the anguished conscience of our loneliness physical and metaphysical which tends to drive us to act in pursuit of our own destiny, or a psychoanalytic reading Freud and Lacan, the realization of our desires which we are responsible before, during and after its concretization.
KEYWORDS: Literary space - City. Anguish. Existentialism. Graciliano Ramos. Literature. Psychoanalysis.

31

O aperfeiçoamento moral em Lolita

Gilberto Clementino de Oliveira Neto

Universidade Federal de Pernambuco - UFPE

RESUMO:
O objetivo deste trabalho é refletir sobre a potência que a literatura tem em explorar as parcelas inóspitas da vivência humana, isto é, o lado recusável da nossa vida moral. Como indutor dessa reflexão está o romance Lolita, de Vladimir Nabokov, que através do relato homodiegético do personagem Humbert Humbert examina o possível de uma situação social de moralidade limítrofe. Assim, a partir dessa proposição, podemos observar como a literatura consegue, por sua capacidade de profunda exploração existencial, criar novos construtos morais; como, em sua natureza símile do real, pode nos humanizar, quer dizer, fazer-nos viver um outro que também nos constitui.
PALAVRAS-CHAVE: Teoria da literatura. Literatura e filosofia. Lolita.

ABSTRACT:
This work aims to reflect about the capacity that literature has of exploring the inhospitable portions of the human life, that is, the excusable side of our moral life. As an inductor of this thinking is the novel Lolita, by Vladimir Nabokov, which through the account of an homodiegetic character examines the possibility of a borderline social situation of morality. Therefore, based on this proposition we can observe how literature is able to, due to its profound existential exploratory capacity, create new moral constructs; how it can humanize us because of its simile-to-real nature, how it can make us live another that also constitutes ourselves.
KEYWORDS: Literary  theory.  Literature  and  philosophy. Lolita.

41

A bela morte feminina em Ausônio

José Amarante

PPGLinC/PPGLitCult/NALPE/UFBA

RESUMO:
O presente artigo apresenta a realização do tema da bela morte em Ausônio, um poeta do século IV e.c., especialmente a configuração do tema no universo feminino. Para isso, retomando as já conhecidas figuras femininas associadas à ideia de bela morte não vinculadas ao parto, como Ifigênia ou Alceste, cujas mortes ocorreram na juventude e em prol de valores ditos honrosos, o artigo apresenta a versão ausoniana para dois casos de bela morte feminina: a de Políxena, conhecida por morrer para honrar um pedido do fantasma de Aquiles; e a de Anícia, uma jovem que morre no parto, na flor da juventude. O artigo conclui que, se, por um lado, Anícia seria o caso de bela morte no parto recriada no século IV, por outro mostra uma morte de Políxena como ocorrida em vão, sob a forma de ultraje, diferentemente da forma como é desenhada em Eurípedes, em que a heroína aceita seguir Odisseu em direção a seu sacrifício em honra a Aquiles.
PALAVRAS-CHAVE: Bela morte feminina. Ausônio. Antiguidade. Antiguidade Tardia.

ABSTRACT:
This work presents the theme of beautiful death in Ausonius, a fourth-century poet, especially the configuration of the theme in the feminine universe. The article then departs from the well-known female figures associated with the idea of beautiful death not linked to parturition - such as Ifigenia or Alceste, whose deaths occurred in youth and in favor of so - called honorable values - and presents the Ausonian version for two cases: Polyxena, known to die to honor a request from the ghost of Achilles; and Anicia, a young woman who dies in childbirth, in the prime of her youth. The article concludes that if, on the one hand, Anicia would be the case of a beautiful death in childbirth recreated in the fourth century, on the other, it shows a death of Polyxena as in vain in the form of outrage, unlike the way it is drawn in Euripeds, where the heroine agrees to follow Odysseus toward her sacrifice in honor of Achilles.
KEYWORDS: Beautiful female death. Ausonius. Classical antiquity. Late Antiquity.

47

Entre a modernidade e algo por vir: Hermann Hesse leitor de Friedrich Nietzsche

Jivago Araújo Holanda Ribeiro Gonçalves

Universidade Estadual do Piauí – UESPI

RESUMO:
Sob o signo da interdisciplinaridade, este artigo intenciona desenvolver uma interpretação do romance Demian, escrito por Hermann Hesse em 1919, a partir de um exercício crítico que tem como fundamento as formulações de Friedrich Nietzsche em sua obra, de maneira geral, concernentes às ideias de cultura, indivíduo e modernidade, e detidamente n’O nascimento da tragédia, de 1872 relativas à arte. O objetivo geral figura em torno da observância de uma possível convergência crítica entre literato e filósofo relativa aos pressupostos do que aqui denominamos modernidade. São estes: a ideia de sujeito contraposto ao mundo externo, a ideia de verdade, e a crença exacerbada na razão com via de acesso à realidade na qual os sujeitos se inscrevem. Ao fim, buscou-se ressaltar a noção de autocriação – interpelando-a a partir da noção de Bildung – e apresentá-la enquanto contrapondo ao projeto inacabado da modernidade.
PALAVRAS-CHAVE: Demian. Hesse. Nietzsche. Modernidade.

ABSTRACT:
Under the mark of interdisciplinarity, this article intends to interpret Demian, a novel written by Hermann Hesse in 1919, making use of the formulations of Friedrich Nietzsche present in his overall work concerning the ideal of modernity, individual and moral, and more specifically in The birth of tragedy, from 1872 relative to art. The major objective lies around the observation of a possible critical convergence between writer and philosopher concerning the assumptions of what it is hereby named modernity. These are: the idea of subject apart from ex ternal world, the idea of truth, and the exaggerated belief in reason as an access line to the reality the subjects are inscribed in. Towards the end, the article sought to highlight the notion of self-creation – opposing it to the concept of Bildung – and present it as a counterargument to the unfinished project of modernity.
KEYWORDS: Demian. Hesse. Nietzsche. Modernity.

61
Traduções

Volta de Odisseu ao Lar, de Thomas Rosenlöcher

Rui Rothe-Neves

Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

Tradução do poema “Volta de Odisseu ao Lar” (Heimkehr des Odysseus), do poeta alemão Thomas Rosenlöcher. Neste poema, o tema é o retorno do herói a Ítaca. Odisseu retorna para uma terra arrasada e este aspecto traz para o topos literário a história da literatura: no imediato pós-guerra, o primeiro período literário da Alemanha foi chamado de “literatura dos destroços” (Trümmerliteratur). Feita em grande parte por autores exilados retornando do exílio e por autores mais novos retornando da guerra, tematizava as perdas, os destroços, o fim da Alemanha (e, em certa medida, da Europa) tal como a conheceram.


77

Por que se diz ‘fábula’ e Sobre os diversos nomes dos deuses: tradução de duas narrativas programáticas do Segundo Mitógrafo do Vaticano

Victor Campos Mamede de Carvalho

Universidade Federal da Bahia - UFBA

A tradução que se veicula neste trabalho, inédita em língua portuguesa, é dedicada às duas pri- meiras narrativas que abrem a compilação mitográfica do Segundo Mitógrafo do Vaticano, e sua seleção se deu pela natureza da discussão apresentada, em seu caráter programático, uma vez que os textos escolhidos discutem a natureza da narrativa fabulística, mítica, com destaque para suas formas de inter- pretação, especialmente a interpretação evemerista, na discussão sobre os nomes dos deuses.

O Segundo Mitógrafo do Vaticano é um dos três autores anônimos que compõem o conjunto de três obras primeiramente encontradas pelo prefeito do Vaticano, Angelo Mai, em 1831, edita- das sob o título Classicorum Auctorum e Vaticanis codicibus editorum tomus III...


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Traduzindo o quarto livro do lipograma fulgenciano

Cristóvão José dos Santos Júnior

Universidade Federal da Bahia - UFBA

Oferta-se, neste trabalho, a primeira tradução para a língua portuguesa e a primeira do mundo realizada lipogramaticamente do quarto livro (Ausente D) da obra De aetatibus mundi et hominis (Das idades do mundo e da humanidade), atribuída ao escritor tardo-antigo e possivelmente advogado ou professor Fábio Plancíades Fulgêncio, a partir da edição fixada por Rudolf Helm (1898). Fulgêncio é, por vezes, asso- ciado a um jurista, teólogo, orador ou professor, muito embora, de fato, sua biografia não apresente vasta documentação comprobatória supérstite, tendo sido nutridas inúmeras discussões a seu respeito. Para seu conhecimento, muitos investigadores usam fontes indiretas, que englobam citações feitas por outros escritores e referências intratextuais, havendo especial destaque para o prólogo do livro I das Mythologiae...


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