A Palo Seco, N. 8, 2016 - Escritos de Filosofia e Literatura 


A Palo Seco 2018
chamada para publicação

Artigos e traduções inédita de textos filosóficos ou literários devem ser submetidos até 15 de julho de 2018

A Palo Seco - N.10

Anais do IV Colóquio
Filosofia e Literatura: Poética

Com muita satisfação apresentamos os Anais do 4º Colóquio GeFeLit.
São 48 trabalhos sendo 3 conferências (resumos), 21 palestras (resumos) e 24 comunicações (textos completos).

Você tem notícia do latim?

A tese “Dois tempos da cultura escrita em latim no Brasil: o tempo da conservação e o tempo da produção – discursos, práticas, representações, proposta metodológica” do prof. José Amarante Sobrinho recebeu o Prêmio Capes de Teses 2014 - Letras e Linguística

A Palo Seco, Ano 8, N. 8, 2016
Escritos de Filosofia e Literatura


CONSELHO EDITORIAL

Alexandre de Melo Andrade - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Camille Dumoulié - Université de Paris Ouest-Nanterre-La Défense, França

Carlos Eduardo Japiassú de Queiroz - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Celina Figueiredo Lages - Universidade Estadual de Minas Gerais/UEMG, Brasil

Conceição Aparecida Bento - Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM

Fabian Jorge Piñeyro - Universidade Pio Décimo/PIOX/Aracaju, Brasil

Jacqueline Ramos - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Jean-Claude Laborie - Université de Paris Ouest-Nanterre-La Défense, França

José Amarante Santos Sobrinho - Universidade Federal da Bahia/UFBA, Brasil

Leonor Demétrio da Silva - Exam. DELE-Instituto Cervantes/SE, Brasil

Lúcia Maria de Assis - Universidade Federal Fluminense/UFF, Brasil

Luciene Lages Silva - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Maria A. A. de Macedo - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Oliver Tolle - Universidade de São Paulo/USP, Brasil

Renato Ambrósio - Universidade Federal da Bahia/UFBA, Brasil

Rosana Baptista dos Santos - Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM

Romero Junior Venancio Silva - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Tarik de Athayde Prata - Universidade Federal de Pernambuco/UFPE, Brasil

Ulisses Neves Rafael - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Waltencir Alves de Oliveira - Universidade federal do Paraná/UFPR, Brasil

William John Dominik - University of Otago, New Zealand (Professor Emeritus), Nova Zelândia

 

EDITORIA

Luciene Lages Silva - Editora Chefe

Alexandre de Melo Andrade - Editor Adjunto

Jacqueline Ramos - Editora Adjunta

Maria A. A. de Macedo - Editora Adjunta


REVISORES DE LÍNGUA ESTRANGEIRA

William Dominik - língua inglesa

Leonor Demétrio - língua espanhola

Maria A. A. Macedo - língua francesa

 

PREPARAÇÃO DOS ORIGINAIS

Luciene Lages Silva

 

CAPA e EDITORAÇÃO ELETRÔNICA

Julio Gomes de Siqueira

 

IMAGEM DA CAPA: "Mulher e pássaro" (1912), de Di Cavalcanti


Sumário

Apresentação

Alexandre de Melo Andrade

 

Mãos tateiam
palavras
tecido
de formas.

Tato no escuro das palavras
mãos capturando o fato
texto e textura: afinal
matéria.
(Orides Fontela)

 

 

O atual volume de A Palo Seco – Escritos de Filosofia e Literatura ratifica o compromisso de seus organizadores em promover relações de implicação, aproximação e diálogo entre literatura e filosofia. Já na Antiguidade clássica, nos estudos acerca dos gêneros literários, tal relação se fez presente, e aqui vale lembrar as poéticas clássicas teorizadas por Aristóteles, Longino e Horácio, que se atentaram à obra literá- ria valendo-se de princípios filosóficos que apontavam para a grandeza e o belo, ora por via do equilíbrio, ora por via do arrebatamento. O trânsito entre o conhecimento filósófico e a intuição poética não invalida o estatuto singular dessas duas formas de discurso; contrário disso, o afastamento resguarda a natureza dessas formas, justamente possibilitando aproximação. Sobre isso, e bem a propósito, Benedito Nunes diz que “É o movimento de ir de uma a outra, portanto separadas, cada qual na sua própria identidade, sem que cada qual esteja acima ou abaixo de sua parceira, numa posição de superioridade ou inferioridade do ponto de vista do conhecimento alcançado ou da verdade divisada, que constitui aqui o essencial. Se vamos de uma a outra, quer isso dizer que elas não são contíguas, mas que, guardando distância, podem aproximar-se entre si. A relação transacional é uma relação de proximidade na distância”.

O ecletismo desta edição permite relações que vão dos teóricos iluministas às margens do trans- cendentalismo romântico; do romance regionalista brasileiro à poesia da geração de 1945; do erotismo na prosa de ficção moderna à poesia brasileira e portuguesa contemporânea. Os dois primeiros artigos trazem contribuições de Diderot no que se refere à teoria dos gêneros e ao vínculo que se estabele- ce entre literatura e Ilustração; porém, no primeiro, intitulado “Sobre a teoria dos gêneros dramáticos: drama burguês e o drama novo”, Patrícia A. Corrêa Mazoti expande para os domínios do drama novo de Tchékhov, enquanto no segundo – “Um bom poema é uma peça digna de ser pregada em homens sensatos – A religiosa” –, Christine Arndt de Santana detém-se mais sobre o aspecto moral da obra diderotiana.

Já no artigo seguinte, Carlos Eduardo Japiassú Queiroz provoca relações entre a obra e o leitor por via da abordagem teórica do imaginário e do simbólico, fundamentado na Corrente de Estudos do Imagi- nário e na Estética da Recepção, no texto “Uma investigação dos conceitos do imaginário e do simbólico no tocante ao processo de recepção literária”. Em “Aspectos da Natureza no Romantismo: um recorte crítico”, Alexandre de Melo Andrade também se volta para o simbólico, apropriando-se do conceito de analogia amplamente difundido na filosofia e na literatura do Romantismo, e demonstrando como se dá a relação entre a subjetividade romântica e a objetividade da natureza nas bases do movimento.

Na sequência, Clarissa Loureiro relaciona erotismo, amor, exílio e incompletude na modernidade, no seu texto “O erotismo como instrumento de especulação filosófica em O Trópico de Câncer”. A crise da modernidade se faz presente na prosa de ficção do século XX também pelas vias do fantástico e suas ramificações, o que é tematizado no próximo artigo, intitulado “O impuro em Kafka a partir da ótica ben- jaminiana”, de Ivanildo Araújo Nunes.

Poetas de destaque da literatura brasileira contemporânea são discutidos nos dois artigos seguin- tes, que também se abrem a aspectos basilares da recente produção de poesia. Em “Uma incorporação fa- tal”, Carlos Eduardo Marcos Bonfá se debruça sobre a poesia de Alexei Bueno, (re)pensando o conceito de anacronia e de femme fatale, principalmente por via do poema “Silvia Saint”. A poesia de Geraldo Carneiro é apresentada por Leonardo Vicente Vivaldo no próximo artigo – ““sou um animal em surto de poesia”: o Outro e o Devaneio Poético em Geraldo Carneiro” –, partindo do pressuposto de que há, neste poeta, uma comunhão cósmica que possibilita o que Octávio Paz chamou de “outridade”. Ainda permeando aspectos da literatura contemporânea, Audrey Castañon de Mattos faz uma abordagem do silêncio na escritora portuguesa Teolinda Gersão, principalmente à luz de Ludwig Wittgenstein, esbarrando na compreensão do ser e da palavra, em texto intitulado “O que a palavra não pode dizer: a escrita do eu em Os guarda- chuvas cintilantes, de Teolinda Gersão”.

A discussão em torno dos elementos estéticos, principalmente do expressionismo, presentes no romance realista Angústia, é a abordagem realizada em “O expressionismo em Angústia, de Graciliano Ramos”, da autoria de José Rafael Valadão. Outro escritor brasileiro contemplado é João Cabral de Melo Neto, aproximado, por Fernando Pereira Impagliazzo, em clave comparativa, a Manuel Bandeira; Museu de tudo, do poeta de 45, e Mafuá do Malungo, do poeta de 22, são interligados por uma escrita do eu, fundamentado em ““Há um contar de si no escolher”, o quadro do poeta-antologista de Museu de tudo”.

Por fim, apresentamos, na seção dedicada a traduções, dois capítulos do segundo volume de Littérature et Philosophie Melées, de Victor Hugo, sendo o primeiro “Sur Voltaire”, e o segundo “Sur l’abbé de Lamennais”. A escolha destes textos se deve, conforme nos diz a tradutora – Maria Aparecida Antunes Macedo – “à necessidade de dar-se a conhecer uma coexistência, não muito pacífica, entre dois períodos históricos, filosóficos e literários, que foram as Luzes e o Romantismo francês”.

Ao entregarmos este volume, temos a convicção de que pudemos contribuir para alguns acréscimos ao que se estudou e se estuda acerca das relações entre literatura e filosofia, o que pode ser atestado pela originalidade dos debates e das especificidades aqui apresentados. De nossa parte, fica o desejo de que esse diálogo se confirme e se complete a partir do olhar dos leitores que se enveredarem por essas trilhas cruzadas.

Alexandre de Melo Andrade

4

Sobre a teoria dos gêneros dramáticos: drama burguês e drama novo

Patrícia Aurora Corrêa Mazoti

Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Junior”/UNESP

RESUMO:
Propomos neste trabalho uma análise da elaboração dos gêneros dramáticos. Para tanto, partimos de dois gêneros principais que são a tragédia e a comédia com o intuito de compreender a busca de Diderot em apresentar um gênero intermediário que emociona o público, ao mesmo tempo em que busca moldar uma representação de virtude que não seja realizada pela simples denúncia do ridículo e do vício. Diderot realiza um gênero que representa a burguesia em ascensão. Em, suas peças, os heróis não são burgueses, mas a vida que levam sim. Em seguida a essa abordagem, trataremos a proposta de Tchékhov, considerado, ao lado de outros autores, o criador do “drama novo”, pelo fato de alterar os conceitos de ação e diálogo, redefinindo os conceitos de dramaturgia. Na linguagem tchekhoviana, agir seria recortar extensões, mobilizar virtualidades e reações, refugiando-se na memória. Utiliza aspectos da forma tradicional do drama, porém debruçando-se sobre temáticas que tratavam dos problemas de seu tempo.
PALAVRAS-CHAVE: Gêneros dramáticos. Teoria dramática. Teatro.

RESUMEN:
Nos proponemos en este trabajo un análisis del desarrollo de los géneros dramáticos. El punto de partida de los dos géneros principales son la tragedia y la comedia con el fin de comprender la búsqueda de Diderot de presentar un género intermedio que emocione al público, al mismo tiempo que se procura dar forma a una representación de la virtud que no se logre simplemente denunciando lo ridículo y el vicio. Diderot realiza un género que muestra la burguesía en ascenso; en sus obras, los héroes no son burgueses, pero la vida que llevan sí lo es. Además, estudiaremos la propuesta de Tchékhov, que es considerado, junto a otros autores, el creador del “nuevo drama”, porque, al cambiar los conceptos de acción y el diálogo, redefine los conceptos de la dramaturgia. En el lenguaje tchekhoviana, actuar recortaría extensiones, movilizaría virtudes y reacciones, refugiándose en la memoria. Utiliza los aspectos de la forma tradicional del teatro, pero apoyado en los temas que se ocupan de los problemas de su tiempo.
PALABRAS-CLAVE: Géneros dramáticos. Teoría dramática. Teatro.

6

Um bom poema é uma peça digna de ser pregada em homens sensatos - A religiosa

Christine Arndt de Santana

Núcleo de Teatro da Universidade Federal de Sergipe/UFS

RESUMO:
O Realismo diderotiano, avant la lettre, sacrifica a bela página à bela ação por entender que a “moral em exercício” é o que importa para que a literatura cumpra com seu papel, a saber: como ela pode educar moralmente os homens e ao mesmo tempo servir de instrumento de divulgação de certos valores morais? Este texto pretende, ao responder a este questionamento, demonstrar que, ao escrever A Religiosa, Diderot pretendia, além de fazer uma denúncia sobre as atrocidades que eram cometidas nos conventos franceses no século XVIII, cumprir com a finalidade da Ilustração. A elaboração da “História da Freira” demonstra a preocupação do autor em colocar a moral em ação, com o intuito de levar adiante seu projeto, que se coaduna com aquele pedagógico e civilizatório da Ilustração: esclarecer os homens, tornando-os autônomos e virtuosos; em sendo virtuosos, felizes. Logo, tal projeto colabora, também, com o bem-estar da sociedade.
PALAVRAS-CHAVE: Ilustração. Diderot. A Religiosa. Moral em exercício.

RÉSUMÉ:
Le réalisme de Diderot, avant la lettre, sacrifie la belle page à la belle action, car l’auteur estime que la “morale en exercice” est ce qui compte pour que la littérature remplisse son rôle, à savoir: comment peut-elle éduquer moralement les hommes en même temps que servir d’outil de diffusion de certaines valeurs morales? Ce texte-ci prétendre à répondre à cette question en cherchant à vérifier que lors de l’écriture de La Religieuse, Diderot vise, outre la dénonciation des atrocités commises dans les monastères français au XVIIIe siècle, l’accomplissement des buts des Lumières. L’élaboration de l’Histoire de la Religieuse fait preuve du souci de Diderot de la place de la morale en tant qu’action, afin de mener à bien son projet. Celui-ci va de pair avec le projet éducatif et civilisateur des Lumières: éclairer les hommes, c’est-à-dire, les rendre autonomes et vertueux, donc vertueux et heureux. Par conséquent, ce projet atteint un au-delà de l’individualité, qui est le bien-être de la société.
MOTS-CLÉ: Les Lumières. Diderot. La Religieuse. Morale en exercice.

17

Uma investigação dos conceitos do imaginário e do simbólico
no tocante ao processo de recepção literária

Carlos Eduardo Japiassú Queiroz

Universidade Federal de Sergipe/UFS

RESUMO:
A visada do trabalho proposto circunscreve a literatura enquanto discurso específico que só se realiza enquanto tal quando de uma recepção por parte de um leitor que se consagrará como fator necessário no processo de interpretação do conteúdo expresso pelo texto. Nesse sentido, a existência de uma especificidade de um discurso cunhado como literário deve ser investigada no cerne de um processo resultante da conjunção de suas características formais e sua repercussão no imaginário do leitor no ato de uma dada recepção. Para efetivarmos nosso objetivo de análise, adotaremos como base teórico-metodológica a Corrente de Estudos do Imaginário e a Estética da Recepção, a partir das quais aprofundaremos os conceitos de Imaginário e de Simbólico, com o objetivo de descrevermos um modo específico de relação eou atuação fenomênica do discurso literário na imaginação do leitor.
PALAVRAS-CHAVE: Imaginário. Simbólico. Estética da Recepção.

ABSTRACT:
The aim of this investigation considers literature to be a specific discourse that is realized in the process of the reader becoming a necessary cog in the interpretation of the content of the text. The existence of a specific discourse described as literary that lies at the core of the process resulting from the conjunction of its formal characteristics and its reception in the reader’s mind requires investigation. In the process of analyzing this discourse, a theoretical and methodological model is adopted based upon current studies of the imaginary and the esthetics of reception, which deepen the concepts of the imaginary and the symbolic, with the objective of describing the specific mode or performance of literary discourse that is manifested in the reader’s imagination.
KEYWORDS: Imaginary. Symbolic. Aesthetics of Reception.

26

Aspectos da Natureza no Romantismo: um recorte crítico

Alexandre de Melo Andrade

Universidade Federal de Sergipe/UFS

RESUMO:
O Romantismo literário desenvolveu, em suas bases, profundas relações entre o universo subjetivo e a realidade objetiva, o que deu origem a uma série de contradições entre a expressão individual e o mundo da civilização. A transcendência romântica promove a preponderância da visão subjetiva sobre a cultura, utilizando formas da natureza como extensão do próprio eu. Neste contexto, a filosofia também propôs reflexões que contribuíram para a compreensão do homem desalojado de sua unidade com o mundo natural, entregue às dissonâncias e fragmentações da realidade e motivado a formas de reintegração por meio da transcendência. Este artigo pretende aproximar a crítica filosófica romântica a uma questão pertinente aos autores românticos: a relação entre o indivíduo e a Natureza.
PALAVRAS-CHAVE: Romantismo. Filosofia. Natureza. Transcendência.

ABSTRACT:
Literary Romanticism developed at its base a deep relationship between the subjective world and objective reality, which gave rise to a number of contradictions between individual expression and the world of civilization. Romantic transcendence promotes the preponderance of the subjective view of the culture by using the forms of nature as an extension of self. In this context, philosophy also proposed reflections that contributed to the understanding of the man who is dislodged from his ‘oneness’ with the natural world, given over to the dissonance and fragmentation of reality, and impelled toward forms of reintegration through transcendence. This article aims to raise bring Romantic philosophical criticism to a question relevant to authors of the period: the relationship between the individual and Nature.
KEYWORDS: Romanticism. Philosophy. Nature. Transcendence.

39

O erotismo como instrumento de especulação filosófica em o Trópico de Câncer

Clarissa Loureiro

Universidade de Pernambuco/UPE

RESUMO:
Este trabalho propõe-se a discutir como os personagens de Trópico de Câncer vivenciam e problematizam o erotismo como uma ferramenta filosófica de implosão da apatia e da solidão próprias à condição do homem de meados do século XX na situação especial de exílio. Para tanto, são analisadas circunstâncias em que alguns personagens discursam ou refletem sobre o prazer erótico, seja apresentando a objetificação do sexo feminino, seja recriando situações de orgasmo masculino. A intenção neste trabalho é apontar como o erotismo torna-se um tema relevante para se debater as relações humanas nas primeiras décadas do século XX, proporcionando uma maior apreciação sobre a incompletude do homem, vazio em meio à multidão, buscando nas relações eróticas uma sensação de completude passageira, quando não há mais espaço para as relações afetivas sólidas. Assim, o aporte teórico a ser discutido neste trabalho debruça-se sobre os seguintes temas: erotismo (BATAILLE, 2014), amor (PLATÃO), exílio (LIMA, 1980) e linguagem moderna (BENJAMIN, 1994).
PALAVRAS-CHAVE: Erotismo. Exílio. Modernidade. Trópico de Câncer.

ABSTRACT:
This article undertakes to discuss how the characters of the Trópico de Câncer problematize and experience eroticism as a philosophical “tool of implosion” to counter the apathy and solitude characteristic of an exiled man of the mid-twentieth century. It analyzes the circumstances in which some characters discuss or reflect upon erotic pleasure, whether these present the objectification of the female sex or recreate situations of male orgasm, are analyzed. The purpose is to observe how eroticism becomes a relevant topic for debating human relationships in the mid-twentieth century by providing a greater reflection upon the incompleteness of man who, when there no longer is space for solid emotional relationships, feels empty in the midst of a crowd and seeks a sense of transient completeness in erotic relationships. The theoretical contribution of this article focusses on the following themes: eroticism (BATAILLE, 2014), love (PLATO), exile (LIMA, 1980) and modern language (BENJAMIN, 1994).
KEYWORDS: Erotocism. Exile. Modernity. Tropic of Cancer.

47

O impuro em Kafka a partir da ótica benjaminiana

Ivanildo Araújo Nunes

Universidade Federal de Sergipe/UFS

RESUMO:
O trabalho proposto observa as inferências do filósofo alemão Walter Benjamin no que tange a leitura da obra do escritor Franz Kafka. Estranho e labiríntico são alguns dos adjetivos que abrangem a literatura do escritor tcheco, e isso o situa como um dos principais alicerces da Literatura Fantástica. O aspecto assinalado por Benjamin na obra do autor de Metamorfose e de O Processo é o ‘impuro’, sobretudo, no sentido religioso do termo. Tal investigação demonstra suas duras críticas como sequelas de sua experiência com a tradição judaica que tanto o sufocava. Para análise da obra kafkiana utilizaremos além de textos do Walter Benjamin, o ensaísta Harold Bloom, o filósofo Soren Kierkegaard, o tradutor e professor Modesto Carone, entre outros.
PALAVRAS-CHAVE: Literatura Fantástica. Estranho. Kafka.

RESUMEN:
El trabajo propuesto observa las inferencias del filósofo alemán Walter Benjamin en lo que respecta a la lectura de la obra del escritor Franz Kafka. Extraño y laberíntico son algunos de los adjetivos que abordan la literatura del escritor checo, y eso le sitúa como uno de los pilares de la Literatura Fantástica. El aspecto subrayado por Benjamin en la obra del autor de La Metamorfosis y el Proceso es lo ‘impuro’, especialmente en el sentido religioso del término. Tal investigación demuestra los rasgos de su experiencia con la tradición judaica que tanto le ahogaba. Para el análisis de la obra de kafkiana utilizaremos, además de textos de Walter Benjamin, el ensayista Harold Bloom, el filósofo Soren Kierkegaard, el traductor y profesor Modesto Carone, entre otros.
PALABRAS-CLAVE: Literatura Fantástica. Estraño. Kafka.

58

Uma incorporação fatal

Carlos Eduardo Marcos Bonfá

Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho”/UNESP

RESUMO:
Alexei Bueno (1963 –) é um poeta brasileiro contemporâneo no seu sentido mais autêntico, deslocando a noção de anacronismo em sua prática poética de relação com a tradição, compreendendo-o como uma temporalidade fundamental para toda contemporaneidade. Busco, nessa pesquisa, verificar, principalmente, como a imagem da femme fatale é ativada e reage em sua poesia.
PALAVRAS-CHAVE: Alexei Bueno. Poesia brasileira contemporânea. Femme fatale.

ABSTRACT:
Alexei Bueno (1963 –) is a contemporary Brazilian poet in the truest sense, as is evident in his displacement of the notion of anachronism in its relationship with tradition, whereby he understands it to be a temporality fundamental for all modernity. This article primarily seeks to examine how the image of the femme fatale is initiated and utilized.
KEYWORDS: Alexei Bueno. Brazilian contemporary poetry. femme fatale.

65

“Sou um animal em surto de poesia”: o Outro e o Devaneio Poético em Geraldo Carneiro

Leonardo Vicente Vivaldo

Universidade Estadual Paulista Araraquara/UNESP

RESUMO:
A concepção da criação, em sentido amplo, confunde-se com o poder da Palavra e, sobretudo, com a figura do poeta-demiurgo – o que denunciaria uma relação profunda entre o ritual poético e a resistência deste perante a realidade prosaica do mundo (sobretudo do desencantado mundo moderno-contemporâneo). Esta crise iniciada pelo fazer poético, necessariamente, parece misturar criador e criatura, poeta e poesia, permitindo uma busca pela identidade e que passaria pela figura do Outro (ou da outridade, segundo o poeta e crítico mexicano Octávio Paz). Criação; palavra; ritual; o eu e outro: tudo faz parte do Devaneio poético (Gaston Bachelard) e que comporia a comunhão cósmica do imaginário do poeta – e, para nós, especialmente o imaginário da poesia de Geraldo Carneiro (infinito mar de assonâncias e ressonâncias pela essência da própria poesia e do próprio poeta).
PALAVRAS-CHAVE: Poesia brasileira contemporânea. Outro. Devaneio. Geraldo Carneiro.

ABSTRACT:
The concept of creation in a broad sense is confused with the power of the Word and above all with the figure of the poet-demiurge, which betrays a profound relationship between the poetic ritual and its resistance to the prosaic reality of the world (especially the disenchanted modern-contemporary world). The crisis initiated by the poetic process seems necessarily to mix creator and creation, poet and poetry, which allows for a search for identity and which occurs through the figure of the Other (or of otherness, according to the Mexican poet and critic Octávio Paz). Creation, word, ritual, the Other and I: all is part of the poetics of reverie (Gaston Bachelard) that comprises the cosmic communion of the imaginary of the poet—and, for us, especially the imaginary of the poetry of Geraldo Carneiro (which is full of assonance and resonance for the essence of his own poetry and for himself).
KEYWORDS: Contemporary Brazilian Poetry. Other. Reverie. Geraldo Carneiro.

79

O que a palavra não pode dizer: a escrita do eu em
Os guarda-chuvas cintilantes, de Teolinda Gersão

Audrey Castañon de Mattos

Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara/UNESP

RESUMO:
A análise das formas do silêncio no diário ficcional Os guarda-chuvas cintilantes, de Teolinda Gersão, particularmente à luz das proposições de Ludwig Wittgenstein, em seu Tractatus logico-philosophicus, conduziu-nos à observação da dificuldade em apreender a complexidade do ser no mundo moderno. Se pensado como indivíduo, isto é, uno, íntegro, delimitável, esse ser é impensável, portanto, indizível. O ser unívoco é uma ilusão necessária que muitas pessoas procuram registrar na escrita de um diário. O controverso diário de Teolinda Gersão, ao lidar com esse silêncio em torno do Ser, o faz por meio de um silêncio outro, aquele que Wittgenstein considera o absurdo, já que é a tentativa de dizer o indizível, expressar-se fora dos limites da linguagem. Ao fim e ao cabo da leitura de Os guarda-chuvas cintilantes continua-se diante do mistério do Ser, continua-se diante da impossibilidade de traçar-lhe um perfil inequívoco, no entanto, a compreensão da pluralidade dimensional, da plurissignificação de ser, embora igualmente inexprimível, jamais seria atingida se se tivesse lançado mão de um uso empírico da linguagem.
PALAVRAS-CHAVE: Escrita do eu. Literatura portuguesa séc. XX. Silêncio. Teolinda Gersão. Wittgenstein.

ABSTRACT:
An analysis of the forms of silence in Teolinda Gersão’s fictional diary Os guarda-chuvas cintilantes, particularly in the light of of Ludwig Wittgenstein’s propositions in his Tractatus Logico-Philosophicus, leads one to observe the difficulty of apprehending the complexity of existence in the modern world, especially in regard to the silence around the Self and the search for individuality, integrity and uniqueness. The univocal Self is inconceivable and therefore inexpressible, but is a necessary illusion that many people seek to record in a diary. The controversial diary of Teolinda Gersão, which deals with the silence around the Self, does so through the kind of silence Wittgentsein calls “the absurd”, since it is an attempt to express the unspeakable, what lies beyond the bounds of language. At the end of Os guarda-chuvas cintilantes, the mystery of the Self remains, as does the impossibility of reducing it to a definitive profile. An understanding of the multi-faceted dimension and multi-signification of the Self, though equally inexpressible, could never be attained even if an “empirical” use of language were possible.
KEYWORDS: Writing of the self. Portuguese Literature 20th century. Silence. Teolinda Gersão. Wittgenstein.

90

O expressionismo em Angústia, de Graciliano Ramos

José Rafael Valadão

Universidade Federal de Sergipe/UFS

RESUMO:
O objetivo deste artigo é analisar a estética do romance Angústia (1936) de Graciliano Ramos, mostrando como as imagens da narrativa são apresentadas sob a ótica do Realismo e do Expressionismo. O intuito é verificar de que maneira a obra apresenta elementos estéticos do romance realista, principalmente, quanto aos aspectos ligados à verossimilhança da narrativa. Por outro lado, analisaremos como o romance apresenta também elementos estéticos do modernismo europeu de fins do século XIX e início do XX, em especial do Expressionismo. Assim, buscaremos compreender como os ideais da arte expressionista encaixaram-se perfeitamente na proposta estético-ideológica de Graciliano Ramos no romance Angústia. Proposta esta ligada ao drama do sujeito que vive nas periferias das grandes cidades, e que não consegue se desvencilhar dos problemas de ordem pessoal e social.
PALAVRAS-CHAVE: Estética. Expressionismo. Angústia.

ABSTRACT:
The purpose of this article is to analyze the aesthetics of Graciliano Ramos’ novel Angústia (1936) by showing how the images of the narrative are presented from the perspective of Realism and Expressionism. The aim is to examine how the work presents aesthetic elements of the realist novel, that is, how such elements relate to the verisimilitude of the narrative. In addition, this article analyzes how this novel presents aesthetic elements of late-nineteenth and twentieth century European Modernism, especially Expressionism. The objective here is to discuss how the ideals of Expressionist art fits perfectly into the aesthetic and ideological agenda of Graciliano Ramos in Angústia. This agenda is linked to the plight of the subject, who lives on the outskirts of big cities and who is unable to resolve his personal and social problems.
KEYWORDS: Aesthetics. Expressionism. Anguish.

104

“Há um contar de si no escolher”, o quadro do poeta-antologista de Museu de tudo

Fernando Pereira Impagliazzo

Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ

RESUMO:
Em Museu de tudo, João Cabral de Melo Neto se lança a fazer um balanço definitivo de sua obra através do diálogo com diversos artistas, poetas e arquitetos. O presente estudo busca investigar de que maneiras o próprio Eu do poeta se fundiria e se constituiria através de compilação poética, pretensiosamente objetiva. Para tanto, lançamos mão de uma comparação com Mafuá do Malungo de Manuel Bandeira, também considerado um livro de “balanço definitivo” e homenagem a determinadas figuras. Utilizando-se o suporte teórico dos estudos sobre autobiografia de Phillippe Lejeune, os estudos de Antônio Carlos Secchin e a recepção crítica do poeta por Severino Francisco, bem como os estudos sobre Mafuá do Malungo de Giovanni Pontiero, propõe-se, através da imagem de museu, uma leitura de que as escolhas não são somente produtos da objetividade do poeta, mas, principalmente, uma imagem que o poeta tem de si mesmo ao se revelar no outro.
PALAVRAS-CHAVE: Poesia. Artes. Museu. João Cabral de Melo Neto. Subjetividade.

ABSTRACT:
In Museu de tudo (1975), the poet João Cabral de Melo Neto creates a ‘definitive balance’ in his work through dialogue with various artists, poets and architects. This study examines the ways in which the poet’s own self is cast and is constituted through poetic and pretentiously objective compilation. A comparison is made between this work and Manuel Bandira’s Mafuá do Malungo, which is also considered to be a book of “definitive balance” and homage to certain figures. The reading proposed here of Museu de tudo is based upon the theoretical underpinnings of the studies on autobiography by Phillippe Lejeune, the studies of Antônio Carlos Secchin, the critical reception of the poet by Severino Francisco, and the studies on the Mafuá do Malungo by Giovanni Pontiero. This reading, based upon the image of the museum, proposes that the choices of the author are not only the products of the poet’s objectivity but also are mainly an image that the poet has of himself when he reveals himself in “the other”.
KEYWORDS: Poetry. Arts. Museum. João Cabral de Melo Neto. Subjectivity.

112
Traduções

Tradução dos capítulos «Sobre Voltaire» e «Sobre o Abade de Lamennais,
a propósito do Ensaio Sobre a Indiferença em Matéria de Religião»,
do livro Literatura e Filosofia Mescladas, de Victor Hugo

Maria A. A. de Macedo

Universidade Federal de Sergipe/UFS



122

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