A Palo Seco, N. 9, 2017 - Escritos de Filosofia e Literatura 


A Palo Seco - N.11

Anais do IV Colóquio
Filosofia e Literatura: Poética

Com muita satisfação apresentamos os Anais do 4º Colóquio GeFeLit.
São 48 trabalhos sendo 3 conferências (resumos), 21 palestras (resumos) e 24 comunicações (textos completos).

Você tem notícia do latim?

A tese “Dois tempos da cultura escrita em latim no Brasil: o tempo da conservação e o tempo da produção – discursos, práticas, representações, proposta metodológica” do prof. José Amarante Sobrinho recebeu o Prêmio Capes de Teses 2014 - Letras e Linguística

A Palo Seco, Ano 9, N. 9, 2017
Escritos de Filosofia e Literatura


CONSELHO EDITORIAL

Alexandre de Melo Andrade - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Camille Dumoulié - Université de Paris Ouest-Nanterre-La Défense, França

Carlos Eduardo Japiassú de Queiroz - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Celina Figueiredo Lages - Universidade Estadual de Minas Gerais/UEMG, Brasil

Christine Arndt de Santana - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Conceição Aparecida Bento - Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM

Fabian Jorge Piñeyro - Universidade Pio Décimo/PIOX/Aracaju, Brasil

Jacqueline Ramos - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Jean-Claude Laborie - Université de Paris Ouest-Nanterre-La Défense, França

José Amarante Santos Sobrinho - Universidade Federal da Bahia/UFBA, Brasil

Leonor Demétrio da Silva - Exam. DELE-Instituto Cervantes/SE, Brasil

Lúcia Maria de Assis - Universidade Federal Fluminense/UFF, Brasil

Luciene Lages Silva - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Maria A. A. de Macedo - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Oliver Tolle - Universidade de São Paulo/USP, Brasil

Renato Ambrósio - Universidade Federal da Bahia/UFBA, Brasil

Romero Junior Venancio Silva - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Rosana Baptista dos Santos - Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM

Tarik de Athayde Prata - Universidade Federal de Pernambuco/UFPE, Brasil

Ulisses Neves Rafael - Universidade Federal de Sergipe/UFS, Brasil

Waltencir Alves de Oliveira - Universidade federal do Paraná/UFPR, Brasil

William John Dominik - University of Otago, New Zealand (Professor Emeritus), Nova Zelândia


EDITORIA

Alexandre de Melo Andrade - Editor Chefe

Maria A. A. de Macedo - Editora Adjunta

Jacqueline Ramos - Editora Adjunta

Luciene Lages Silva - Editora Adjunta


PREPARAÇÃO DOS ORIGINAIS

Alexandre de Melo Andrade
Maria A. A. de Macedo

 

CAPA e EDITORAÇÃO ELETRÔNICA

Julio Gomes de Siqueira

IMAGEM DA CAPA: Deux femmes nues (1906), de Pablo Picasso


Sumário

Apresentação

Maria A. A. de Macedo

 

No início do nosso século vemos surgir uma tendência que, sob a forma de uma revisão do conceito e da função da literatura, irá estender os estudos da literatura para além de uma abordagem essencialista. Essa tendência visa à reconsideração da visão até então vigente da literatura como um conjunto de monumentos literários desafiando os séculos que o atravessam. Naturalmente, muitos escritos desafiam essa reconsideração pela sua universalidade; mas força é também estudar a literatura como uma manifestação de um espaço, de uma sociedade, trazendo-a para a história, reabilitando seu autor (morto no estruturalismo) e recuperando seu leitor. Ao romper com o essencialismo dos estudos literários e com o absoluto da literatura que paira acima do histórico, essa tendência que se apresenta há mais de uma década embaralha concomitantemente a fronteira limitadora onde a literatura esteve confinada – sobretudo a partir da segunda metade do século XIX – rearranjando-a no interior dos outros domínios, em seu valor de conhecimento.

Nessa tendência surge a revista A Palo Seco, em 2009. Filosofia e a literatura como lugares de manifestação do conhecimento voltam a avizinhar-se, na sua ambiguidade e ambivalência que sempre caracterizaram sua relação. A literatura como um leque de experiências singulares e transformadoras, que mesmo avessa aos a priori da dimensão englobante do conceito e de categorias sistematizadoras do pensamento, irá participar da elaboração ou da constante reelaboração destes últimos.

Feita essa pequena introdução do contexto geral do surgimento de A Palo Seco, apresentamos o seu primeiro artigo, de autoria de Paulo Marchelli, que irá transitar pela história da filosofia, tendo como ponto de partida o pensador pré-socrático, Anaximandro – séculos VII-VI a. C. . O autor aponta esse pensador em sua afinidade com os demais pré-socráticos e com os sofistas, no tocante ao alargamento da forma de exposição do pensamento – até então exclusivamente de pertencimento da escrita versificada, tal como aquela de Homero e Hesíodo – para o domínio da prosa. A expansão das formas de exposição do pensamento, conforme lembra o autor, tem como resultado a palaià diaphorá, uma querela que dá início a uma cisão entre poesia e prosa, com consequências posteriores, na condenação dos poetas, por Platão. Revisitando alguns autores na sua preferência pela prosa ou pelo verso para a expressão de seu pensamento, Marchelli pretende depreender os elementos que concorreriam para essa escolha.

Essas duas formas de expressão de pensamento, sejam mais literárias, quando amparadas pela poesia, sejam elas mais filosófica, na escolha pela prosa, encontram seu desenvolvimento e adequação na modernidade das Luzes e do Romantismo. Nesta perspectiva convidamos à leitura de Nostalgia pelo Infinito: a Alternativa Romântica ao Idealismo Alemão. Sua autora, Mírian Kussumi, percorre o campo das distinções entre o idealismo e o romantismo alemão, respectivamente no que diz respeito à identidade do sujeito com o objeto em uma síntese no Eu absoluto, e o abandono dessa síntese, creditada impossível pelos românticos, mas possível de ser forjada no que estes denominarão “nostalgia pelo Infinito”. Idealismo e Romantismo, lembra a autora, como formas distintas de pensamento, solicitam formas igualmente diferentes de expressão. O primeiro objetivaria, acima de tudo, o alcance de um conteúdo reflexivo rumo à síntese, ao Eu absoluto. O Romantismo, concebendo a síntese como aspiração e não como finalidade, procura os meios, em um ato estético para a expressão da nostalgia do Infinito.

Em um outro registro, não mais de discussão teórica sobre ato reflexivo e ato estético do pensamento, apresentamos o terceiro artigo, O Mal em Machado de Assis: Conto de escola. Para a análise deste conto, o autor, João Paulo Santos Silva, destaca o mal, aí, em seu pertencimento ao domínio da moral e em seu movimento em direção ao espaço social e político, encontrando sua manifestação primeira no ensino escolar – espaço de transmissão de valores do mal moral estendido ao social, realizado em ações de grande extensão, tal como a corrupção, na narrativa de Machado.

O próximo artigo, Aspectos existencialistas em Luís da Silva: a degradação do eu na obra Angústia, de Graciliano Ramos, prossegue a abordagem literária sustentada por uma “doutrina filosófica”. As aspas devem-se ao fato de o próprio Sartre assim designar sua obra O Existencialismo é um humanismo, como tal. A angústia existencialista de Kierkegaard, sublinha a autora, Fabiana Maceno, encontrará seu desenvolvimento no Existencialismo sartriano. Porém, em uma antecipação não muito incomum na literatura, essa noção de angústia já se avizinha da filosofia, sob a forma romanesca, na década de 30, em Graciliano.

Se o terceiro e quarto artigo operacionalizam um instrumental de cunho mais filosófico para a análise de textos de natureza mais literários, o quarto artigo, O Essencialismo e outros conceitos estéticos na obra de Murilo Mendes, coloca em movimento um termo inicialmente vago, ainda não sistematizado, o “essencialismo” de Ismael Nery, pintor, em seu desenvolvimento e adensamento na matéria literária de Murilo Mendes. O autor, Rodrigo Cavelagna, fará uma abordagem de temas murilianos centrais, tais como a religião e a concepção da arte e do artista, que, segundo ele, adquirem particularidade e adensamento por estarem conjugados ao essencialismo neryniano.

O quinto artigo, O efeito de ir-realidade e a política no conto “A Fila”, de Murilo Rubião, propõe uma discussão de alguns elementos, pertencentes à primeira vista a uma literatura fantástica, da obra de Murilo Rubião. Samuel Salzbach parte do conceito de “ir-realidade” de Rancière em seu estudo sobre a “partilha do sensível”. No tocante ao fantástico de Murilo Rubião, o autor faz referência, inicialmente, ao seu sentido comum – a simples materialização do absurdo, arredio às explicações – apresentando-o logo em seguida sua complexidade, na sua constante oscilação entre o real e o irreal, em uma possível ruptura do visível, dizível e do factível. Ele lembra a refutação de Rancière à afirmação de Barthes, no tocante ao excesso de real não ser a comprovação do real, senão somente ser causa de irrealidade. O autor não faz uma aplicação mecânica do pensador francês para o estudo da obra de Rubião. Ele parte de Rancière, do excesso de ir-realidade, atravessado pela vertigem do fantástico, para dar visibilidade de uma realidade do sistema burocrático do Estado, expresso em forma narrativa, em Murilo Rubião.

O próximo texto é uma entrevista concedida por Evandro Nascimento, pesquisador das relações entre literatura e filosofia, em especial dos estudos de Derrida, assim como seu tradutor, além de escritor brasileiro. A entrevista versará sobretudo sobre temas gerais contemporâneos, fechando a seção de artigos.

A segunda seção, inaugurada há alguns anos nesta revista, propõe como objetivo suprir a carência de traduções de textos que transitem pela literatura e filosofia. Apresentamos, neste volume, a tradução do Prólogo y capítulo I de “Meditaciones sobre los Cantares”, de Teresa de Jesús, uma das grandes escritoras do século XVI espanhol, conhecido como “século de ouro”. Teresa de Jesus vai além de uma literatura mística, antecedendo um tipo de literatura que, segundo a tradutora, ainda engatinhava – a autobiografia em sua análise do “eu”. Lembra a tradutora terem sido as obras teresianas traduzidas em diversos idiomas, inclusive em português, pela Editora Loyola (editoração exclusiva de textos religiosos cristãos). No entanto, Larissa M. Raymundo ressalta que objetiva dar, em sua tradução, uma ênfase maior ao aspecto literário ao texto de Teresa de Jesús, posto que o doutrinário está claramente delineado na tradução da Editora Loyola.

Agradecemos a todos que participaram deste número de nossa revista, notadamente aos membros do corpo editorial, aos pareceristas, aos editores e ao responsável pela digitalização de A Palo Seco, tanto no sistema de revistas da UFS quanto no site do Gefelit. Por fim, chamamos à leitura deste número e convidamos aqueles que trabalham nas esferas da filosofia e da literatura, assim como aqueles que se dedicam à tradução, a participarem de nossa revista.

Maria A. A. de Macedo

4

Uma revisão sobre a antiga divergência entre filosofia e poesia

Paulo Marchelli

Professor da Universidade Federal de Sergipe/UFS

RESUMO:
Desde os pré-socráticos estabeleceu-se uma diferença entre a forma de pensar dos poetas e dos filósofos, cabendo aos primeiros buscar inspiração nas fontes mitológicas para a interpretação da história e das coisas existentes no mundo. Quanto aos filósofos, seu papel seria refletir sobre o significado da natureza humana e dos demais seres existentes a partir do primado da razão. Ao longo da história do pensamento e da arte ocidentais, as diferenças entre o fazer poético e o filosófico abriram-se para um conjunto de interpretações que em muitos momentos contribuíram para que ambos encontrassem ressignificações quanto às suas formas de expressão, aproximando-as ou afastando-as de realizações comuns. Nesse sentido, o presente trabalho procura discutir criticamente ideias selecionadas de estudiosos que se dedicaram à contenda das relações entre os fundamentos da arte poética e da reflexão filosófica. Entre os filósofos estudados, destacam-se Parmênides, Platão, Aristóteles e Heidegger.
PALAVRAS-CHAVE: Formas poéticas. Textos filosóficos. Teorias da escritura.

ABSTRACT:
Since the pre-Socratic have settled differences between the thinking of the poets and philosophers. The first came out in search of seek inspiration in the mythological sources for the interpretation of history and of the things in the world. To philosophers had to reflect on the significance of human nature and the other existing beings from the primacy of reason. In Western thought and art, the differences between poetry and philosophy were opened to a set of interpretations, that contributed to both find resignifications of its forms of expression, approaching or moving them to joint achievements. In this sense, the present work seeks to discuss critically ideas selected of scholars who dedicated themselves to relations between the foundations of the poetic art and philosophical reflection. Among the studied philosophers are Parmenides, Plato, Aristotle and Heidegger.
KEYWORDS: Poetic forms. Philosophical texts. Theories of Scripture.

8

Nostalgia pelo Infinito: a Alternativa Romântica ao Idealismo Alemão

Mirian Monteiro Kussumi

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da PUC-Rio

RESUMO:
Filosofia e literatura, embora hoje possam ser apresentadas como dois saberes distintos, sempre estiveram em uma relação de intimidade ou implicação. Assim, poucos momentos históricos demonstraram com tanta clareza esse território compartilhado quanto a produção intelectual do idealismo e romantismo alemães do final do sec. XVIII e início do XIX. Tais movimentos filosóficos e literários se definiram, desse modo, como produções que possuíam vários temas em comum. Segue-se daí que uma das mais importantes questões seria o indivíduo e sua relação com o incondicionado, Absoluto ou infinito. De fato, operando como um ponto central, tanto os filósofos idealistas quanto os poetas e escritores românticos se concentraram no modo de acesso ou entendimento do sujeito finito em relação à infinitude metafísica. O presente artigo busca determinar como essa relação se projeta tanto no romantismo (principalmente no que diz respeito a Schlegel, Novalis -escritores da Atheneaum - e Hölderlin) quanto na filosofia idealista de Fichte, Schelling e Hegel. Nosso objetivo é, não só demonstrar como esse tema era comum a todos eles, mas as próprias nuances de pensamento que os separam, de modo a também entender como o pensamento de tais autores se mostrava como divergente.
PALAVRAS-CHAVE: Idealismo alemão. Romantismo alemão. Infinito. Absoluto. Singularidade.

ABSTRACT:
Despite the fact that today Philosophy and Literature are understood as two different fields, it is possible to say that they have always been related to which other – they have always been implicated or entangled. Thus, few historical moments have demonstrated as clearly this shared territory as the intellectual production of German idealism and Romanticism of the end of eighteenth and early nineteenth centuries. These philosophical and literary movements presented themselves as formulations that had several subjects in common. Therefore, one of the most important questions shared by German Romanticism and Idealism would be the individual self and its relation to the Unconditioned, Absolute or Infinite. In fact, as a main concern, both idealistic philosophers and romantic poets and writers focused on the approach or understanding of the finite subject in relation to metaphysical infinity. The present article seeks to determine how this relationship is projected both in Romanticism (especially regarding to Schlegel, Novalis - writers of Atheneaum - and Hölderlin) as well as in the idealistic philosophy of Fichte, Schelling and Hegel. Our goal is not only to demonstrate how this problem was common to all of them, but also the shades and differences that divide them, so as to also understand how their thought was divergent.
KEYWORDS: German Idealism. German Romanticism. Infinity. Absolute. Singularity.

24

O mal em Machado de Assis: Conto de escola

João Paulo Santos Silva

Mestrando em Letras/UFS (bolsa CAPES)

RESUMO:
Este trabalho analisa a representação do mal em Conto de escola, de Machado de Assis, nas ações das personagens e no foco narrativo. Para tanto, partiremos de um instrumental teórico acerca do mal moral à compreensão desse conto: Passos (2009), Ricoeur (2000), Nunes (1989), Bataille (1989), Jeha (2007). Assim, o mal, visto sob o viés político-social, enseja essas leituras para elucidar a ficção machadiana, demonstrando como sua narrativa está permeada da problemática do mal moral na vida política e social.
PALAVRAS-CHAVE: Machado de Assis. Mal. Política.

ABSTRACT:
This paper analyzes the representation of evil in Conto de escola, by Machado de Assis, in the actions of the characters and in the narrative focus. To do so, we will start from a theoretical instrument about moral evil to the understanding of this story: Passos (2009), Ricoeur (ca. 2000), Nunes (1989), Bataille (1989), Jeha (2007). Thus, the evil seen under the political-social bias provokes these readings to elucidate the Machadian fiction, demonstrating how the narrative is permeated with the problematic of moral evil in political and social life.
KEYWORDS: Machado de Assis. Evil. Politics.

36

Aspectos existencialistas em Luís da Silva:
a degradação do eu na obra Angústia, de Graciliano Ramos

Fabiana Maceno Domingos Pedrolo

Universidade Estadual do Oeste do Paraná/UNIOESTE

RESUMO:
O presente artigo propõe uma análise acerca da personagem Luis da Silva, da obra Angústia, de Graciliano Ramos. Escrita em 1936, Angústia aborda o campo da condição existencial, a reflexão acerca do estar no mundo e traduz, de forma densa e elaborada, a liberdade de escolha como força motriz da angústia. Nossa análise visa estabelecer relações entre a referida obra e o pensamento existencialista. A angústia, de acordo com este último, provém da liberdade de escolha, aludindo aos filósofos Jean-Paul Sartre e Soren Kierkegaard. Este artigo pretende analisar o livro de Graciliano tomando como instrumental teórico alguns conceitos do existencialismo. Este romance, marcado pela subjetividade e introspecção, traz à tona um viés intrigante para a época, a fruição do narrador-personagem que sofre, questiona e propõe uma narrativa voltada para si, contrapondo à tendência de escrita própria daquele seu período.
PALAVRAS-CHAVE: Angústia. Luis da Silva. Existencialismo.

ABSTRACT:
The present article proposes an analysis about the character Luis da Silva, of the book Angústia, by Graciliano Ramos. Written in 1936, Angústia brings the field of the existential condition, the reflection about being in the world and translates, in a dense and elaborate way, freedom of choice as the driving force of anguish. Luis da Silva, whose destiny has reserved a life that is obscure and beyond his expectations, deprived of everything and about to change its outcome, is the core of this analysis that seeks to establish relations between this work and existentialism. Anguish, according to existentialism, comes from this freedom of choice, therefore, based on what is advocated by the philosophers Jean-Paul Sartre and Soren Kierkegaard, this article aims to analyze the aspects of this philosophical current present in the main character of Angústia. This novel, composed by subjectivity and introspection, brings to the surface an intriguing bias for the time, the fruition of the narrator-character who suffers, questions and proposes a narrative aimed at itself, opposing the tendency of writing itself from the period in which it was published.
KEYWORDS: Angústia. Luis da Silva. Existentialism.

43

O essencialismo e outros conceitos estéticos na obra de Murilo Mendes

Rodrigo Cavelagna

Universidade Federal de São Carlos/UFSCar

RESUMO:
Procuramos evidenciar, neste artigo, como o essencialismo, sistema filosófico desenvolvido por Ismael Nery, adquire características próprias ao ser introduzido e utilizado na obra de Murilo Mendes, relacionando-se com outros elementos, como a religião, a arte e a construção do sujeito poético. Para isso, propomos uma investigação dos preceitos religiosos e dos conceitos estéticos presentes em ambos os artistas, com especial atenção para a fortuna crítica de Murilo Mendes e ao modo como tais conceitos podem ser interpretados em sua poesia. Nossa hipótese é de que o essencialismo neryano irá se tornar “muriliano” ao assimilar-se a conceitos próprios de Mendes, desenvolvendo-os continuamente após a morte de Ismael Nery, em 1934.
PALAVRAS-CHAVE: Murilo Mendes. Essencialismo. Religião. Estética. Poesia brasileira.

RESUMEN:
Tratamos de demonstrar, en este artículo, de qué modo el “essencialismo”, sistema filosófico desarrollado por Ismael Nery, adquiere características distintas, al relacionarse a otros elementos, como la religión, el arte y la construcción del sujeto poético, cuando Murilo Mendes utilízalo en su poesía. Para eso, proponemos una investigación de los preceptos religiosos y de los conceptos estéticos presentes en ambos artistas, prestando especial atención en los estudios críticos acerca de Murilo Mendes y a la forma en que tales conceptos pueden ser interpretados en su poesía. Nuestra hipótesis es que el “essencialismo” se hace “muriliano”, o sea, adquiere los conceptos propios de Mendes en su constitución, por desarrollarse durante muchos años después de la muerte de Ismael Nery.
PALABRAS-CLAVE: Murilo Mendes. Essencialismo. Religión. Estética. Poesía brasileña.

51

O efeito de ir-realidade e a política no conto “A Fila”, de Murilo Rubião

Samuel Sulzbach

Mestrando em Estudos Literários (UFRGS)

RESUMO:
Este artigo se propõe a discutir características da obra de Murilo Rubião a partir de noções rancièrianas de política e arte. Escolhendo como objeto de análise o conto “A Fila”, um dos mais paradigmáticos do contista mineiro, desenvolvemos o conceito de ir-realidade como eixo e síntese de rupturas que transgridem a ordem policial e modificam a paisagem do visível.
PALAVRAS-CHAVE: Murilo Rubião. Jacques Rancière. Literatura fantástica.

RESUMEN:
Este artículo se propone a discutir características de la obra de Murilo Rubião partiendo de las nociones rancièrianas sobre política y arte. Al escoger como objeto de análisis el cuento “A Fila”, uno de los más paradigmáticos del cuentista de Minas Gerais, desarrollamos el concepto de ir-realidad como eje y síntesis de rupturas que transgreden el orden policial y modifican el paisaje de lo visible.
PALABRAS-CLAVE: Murilo Rubião. Jacques Rancière. Literatura fantástica.

63
Entrevista

Literatura pensante: entrevista com Evando Nascimento

Andréia Delmaschio
Professora Titular do Instituto Federal do Espírito Santo
Vítor Cei

Professor da Universidade Federal de Rondônia

RESUMO:
A presente entrevista online estruturada com o professor e escritor Evando Nascimento foi feita em maio de 2017, como atividade do projeto de extensão “Notícia da atual literatura brasileira: entrevistas”, que é um esforço no sentido de mapear a literatura brasileira do início do século XXI a partir da perspectiva dos próprios escritores. Nascimento explica a conexão entre filosofia e literatura, comenta sobre seu processo criativo, avalia a recepção de sua obra e embaralha as fronteiras entre ficção e teoria. Constatamos nas respostas do autor uma experiência pensante com a linguagem literária na vizinhança da filosofia.
PALAVRAS-CHAVE: Desconstrução. Literatura brasileira contemporânea. Literatura pensante.

ABSTRACT:
This interview with professor and writer Evando Nascimento was made in May 2017, as an activity of the project “News of the current Brazilian literature: interviews”, which is an effort to map the Brazilian literature of the beginning of the 21st century from the perspective of the writers themselves. Nascimento explains the connection between philosophy and literature, comment on his creative process, evaluates the reception of his work and shuffles the boundaries between fiction and theory. It is possible to verify in the author’s answer a thinking experience with the literary language in the neighborhood of the philosophy.
KEYWORDS: Desconstruction. Contemporary Brazilian literature. Literature and though.

72
Traduções

Tradução do Prólogo e Capítulo I da obra
“Meditações sobre os Cânticos”, de Teresa de Jesus

Larissa de Macedo Raymundo

Doutoranda Universidad de Salamanca



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